Gabriel permaneceu do lado de fora da porta dela por mais de uma hora. Bateu. Implorou. Esperou em silêncio, esperando que ela abrisse a porta pelo menos uma vez.
Mas ela não abriu.
Por fim, o cansaço e a decepção pesaram sobre ele. Encostou a testa na parede por um momento, depois se virou e caminhou de volta para o próprio quarto.
No instante em que entrou, o vazio o atingiu como uma onda. O silêncio do quarto era insuportável. Ele se sentia frustrado e pequeno, como um homem que havia perdido tudo o que realmente importava.
Subiu na cama e ficou deitado, encarando o teto, incapaz de dormir. O peito se apertou quando a verdade o atingiu: ele não dormia em paz havia dias, e agora entendia o motivo. Isla havia se tornado sua calma, sua paz e seu abrigo.
Que idiota ele tinha sido ao pedir que ela dormisse em outro quarto.
— O quarto dela. — Corrigiu-se amargamente.
Tudo o que deu errado era culpa dele. Cada lágrima que ela derramou, cada traço de dor em sua voz, cada olhar frio que ela lhe lançou… ele merecia tudo aquilo.
Mesmo assim, tentou se consolar com um pequeno conforto: ela não tinha ido embora. Isla havia ficado. Ela até tinha cozinhado.
Isso significava alguma coisa, pelo menos era nisso que ele queria acreditar.
Ainda havia esperança.
Um sorriso cansado curvou seus lábios enquanto ele abraçava um travesseiro com força. A presença dela ainda parecia permanecer no ar, seu perfume, seu calor, a lembrança suave de que ela ainda pertencia ao mundo dele.
Talvez, pensou, ela só precisasse de tempo.
Isla era gentil e compreensiva. Sempre foi assim.
Ela acabaria cedendo… certo?
Com aquela esperança desesperada, Gabriel finalmente adormeceu.
Mas no quarto ao lado, Isla não conseguia dormir.
As lágrimas haviam se tornado sua rotina noturna desde a noite anterior. Ela chorava em silêncio até o travesseiro ficar úmido. Ultimamente, mal se reconhecia. Antes era forte e resiliente. Agora se sentia frágil, emocional e fisicamente exausta.
Seu coração doía mais que seu corpo.
Ela queria perdoá-lo, mas a dor não permitia.
Sim, ele havia feito o que ela esperava. Ele buscou a verdade por conta própria. Aquilo deveria ser suficiente.
Mesmo assim… algo ainda parecia errado.
Ele deveria ter confiado nela desde o início. Deveria ter acreditado nela sem precisar de provas.
O que mais doía não era a dúvida dele.
Era a facilidade com que ele desistiu dela.


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