No fim, não tinha o dedo de Alfred no meio. Gabriel havia investigado a verdade por conta própria. Exatamente o que ela havia desejado que ele fizesse.
Mas aquilo a fazia se sentir melhor?
Não. Não fazia.
A dor ainda estava lá, profunda e persistente.
Ele não deveria ter duvidado dela. Deveria ter confiado nela da mesma forma que ela confiou nele, mesmo quando tinha todos os motivos para não fazê-lo.
Ela suspirou suavemente, sentindo o peito apertar ao pensar em tudo. Essas feridas levariam tempo para cicatrizar. Ainda assim, quanto mais pensava nisso, mais irritada ficava, e nem conseguia explicar exatamente o porquê.
Sem responder, ela passou por ele e alcançou os pratos de porcelana. Antes que pudesse pegá-los, a mão de Gabriel cobriu suavemente a dela e tirou os pratos de suas mãos.
— Eu já disse antes — falou em tom baixo —, você precisa descansar.
Isla não discutiu. Não conseguiu. Apenas ficou ali, o observando colocar os pratos sobre o balcão. Ele começou a servir a comida com cuidado, cada movimento silencioso e preciso.
Quando terminou, olhou para ela.
— Por favor, sente-se e coma. Pare de se preocupar tanto. — Disse suavemente.
Ela não ousou olhar pra ele, mas obedeceu. Sentou-se no banco e começou a comer. Seus movimentos eram rápidos, rápidos até demais.
Gabriel a observava, lutando contra a vontade de pedir que ela fosse mais devagar antes que se engasgasse. Depois de um momento, sentou-se ao lado dela e começou a comer também.
Nenhum dos dois falou.
O silêncio se estendeu dolorosamente entre eles, pesado com tudo o que ambos queriam dizer, mas não conseguiam.
Quando Isla terminou, levantou-se para recolher os pratos, mas Gabriel a deteve novamente.
— Eu cuido disso. — Disse com gentileza.
Percebendo que discutir seria inútil, ela suspirou, pegou o celular e saiu da cozinha sem dizer outra palavra.
Desta vez, Gabriel não a impediu. Apenas ficou ali, em silêncio, observando-a ir embora. Não era o final que ele esperava, mas já era alguma coisa. Pelo menos ela não havia o afastado completamente. Talvez aquele fosse o começo da cura.
Assim, o CEO do Império Wyndham, o homem que comandava salas de reunião e negócios de bilhões arregaçou as mangas e limpou a cozinha sozinho.
Algo que nunca havia feito antes.
Quando terminou, entrou na sala de estar, pegou o paletó e o celular, e seguiu em direção ao quarto deles. Seu coração afundou ao encontrar a cama vazia.
Mais uma vez, o peso de seus erros caiu sobre ele. Ele se lembrou das palavras que havia dito na noite anterior.
Então sabia o que precisava fazer.


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