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A Estagiária Gordinha do CEO romance Capítulo 51

Icaro

Um longo tempo se passou desde que chegaram a casa dele. O choro de Amélia molhou o travesseiro, as mãos dela estavam encolhidas no peito, e seus gemidos de dor despertavam uma fúria assassina em Ícaro.

Adormecida a mais de uma hora, o psicológico da mulher sempre tão firme, desmoronou. Quando a colocou na cama, ela nem sabia onde estava, parecia perdida em uma outra realidade, em um passado infernal que minava suas esperanças. Fechou os punhos com força, a vontade de torcer o pescoço daquele desgraçado se tornou imperativa.

Sentado na poltrona de couro preto , ele assistia o sono dela. Passou muito tempo, até que os pesadelos cessassem e Amélia suavizar a expressão carregada. Em seus sonhos ela implorava que ele parasse, pedia perdão e se culpava ofendendo a si mesma com palavras tão horríveis que ele não pode acreditar que foram usadas para com ela.

Ela pedia constantemente por uma nova chance de tentar de novo, dizia que iria emagrecer, e que seria digna de Fernando. Chorava aos gritos pedindo que ele não usasse as correntes dos escravos. Não sabia o que isso queria dizer, mas já imaginava o que isso significava. O nó repulsivo em sua garganta insistia em nublar seus pensamentos racionais. Isso era ódio puro e simples.

Impotência e ira, frustração e medo.

Sim, medo.

Medo de que Amélia fosse sugada por esse inexorável poço sem fundo de emoções reprimidas, e consumida por esse sofrimento infernal.

A abraçou forte durante seu choro, como se isso fosse o suficiente para afugentar os demônios que atormentavam sua menina. Ícaro sorveu o líquido ambarado em seu corpo, que piada.

Não podia dissipar as trevas dela, se o seu próprio interior estava repleto de escuridão, mergulhando nas chamas da vingança sem retorno.

Enquanto ela dormia com seu rosto marcado pela dor, pegou o celular.

Uma decisão repentina, de fato, mas não havia outra saída para o que pretendia fazer.

Deixar Amélia vivendo com Samanta poderia ser mais cômodo para elas, mas não dava a ele tranquilidade alguma. Muitas coisas poderiam acontecer longe de seus olhos, onde não poderia protegê-la.

E havia essa segunda questão. A fragilidade emocional de sua garota.

Alguma coisa aconteceu nesse período de tempo em que não se viram. Ela estava tão arredia e sensível, era possível que teve uma recaída.

Pessoas que enfrentavam traumas, podem ser afetadas por gatilhos, que desencadeiam uma serie de respostas psicológicas.

Sabia disso muito bem. Teve um exemplo dentro de casa.

Por um instante se lembrou do rosto macabro de sua mãe em delirio.

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