Amélia
Um suspiro frustrado escapou de seus lábios, enquanto se dirigia à sala de Ícaro.
Até agora, conseguiu evitar esse contato com sucesso. Passou a manhã e o horário do almoço trabalhando avidamente nas novas ideias de design externo que foram enviadas para serem orçadas.
Não saiu pelos corredores, nem usou a copa. Até o elevador de acesso foi cortado de seus planos.
Tudo isso, para não se encontrar com ele.
Ao longo das horas, o celular recebeu várias mensagens, mas ela ignorou completamente.
Certamente alguma delas, era de Ícaro. E não estava pronta para falar com ele sobre o que descobriu, e esse não era um bom dia para discutir com ele.
A vulnerabilidade de suas emoções ficam explícitas depois de realizar aquela “tarefa” mensal.
Amélia bateu à porta.
Esperava que ele só estivesse precisando de um relatório, ou de um documento qualquer.
As palavras de Sam voltaram a sua mente. “Esse maldito desgraçado dos infernos ainda está procurando por você!”.
Todos os meses, escolhiam um dia para procurar na internet sobre notícias relacionadas a Melissa Rockefeller. Dessa forma, estavam sempre a par do que estava acontecendo no teatro que Fernando armou para a imprensa.
Ele não desistiu de procurar Melissa. Talvez porque ela sabia de todos os seus esquemas sórdidos. Ou somente para continuar sendo o seu carrasco.
Uma vez viu na tv, que predadores psicológicos ficam viciados em exercer o seu poder sobre a vítima.
Bem, a mulher lindíssima que estava ao lado dele em vários eventos públicos, não tinha o perfil de uma substituta da tola Melissa.
Se lembrava do rosto dela. Mesmo que mudasse os cabelos e seu estilo, sempre se lembraria daquela mulher.
A única vez em que se encontraram cara a cara, ficou marcado em seu ser.
-Por quanto tempo vai ficar parada aí fora? - A voz de Ícaro a chamou de volta à realidade.
- Boa tarde Sr. Darius. Em que posso ajudá-lo?
- Pretendia me evitar o dia todo?
- Não foi proposital, eu só estava com muito trabalho.
Ícaro se levantou, se encostando a própria mesa. Cruzou os braços sobre o peito forte. Sua expressão carregada de desagrado. Os olhas prateados estavam fixos nos dela.
-Se aproxime estagiária. - ordenou.
-Si sim..
Amélia firmou o queixo e caminhou firme até parar a pouco menos de um metro dele. Estava tremendo, suas pernas pareciam feitas de gelatina. Mas não devia permitir que ele soubesse do seu real estado.
-O hábito de mentir e me desobedecer vai te colocar em uma fria. - ele a puxou pela cintura.
-Me solte, alguém pode entrar.
-Onde está o presente que eu te dei, Amélia? - perguntou ignorando seus protestos.
Amélia o empurrou, ele queria saber sobre a “coleira”. Pois bem. Ele ia ver só uma coisa.
-Apesar de você não me contar, eu já sei de tudo. - Amélia pisou com o salto alto, no pé esquerdo de Ícaro.
O olhar furioso dele a intimidou, ela se debateu em seus braços, tentando fugir. Com um simples movimento, estava completando cativa contra o corpo dele.

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