Amélia
A sensação de aconchego e conforto era tão nova e distinta que ela não queria abrir os olhos.
Seus pesadelos foram afugentados por um sonho leve e tranquilo nos braços de Ícaro, queria que seu lugar fosse ali onde a dor nunca mais poderia alcançá-la, onde sentia seu coração leve.
Entretanto, uma batida na porta despertou completamente seu sono. O corpo quente dele a acolhia perfeitamente, suas mãos estavam enterradas nos sulcos de sua carne como se fossem feitas para encaixar exatamente ali.
- Tem alguém batendo. – murmurou Amélia .
Sabia que um sorriso bobo estava em seus lábios, seus olhos se abriram aos poucos encontrando os olhos dele, tão claros e cintilantes que por um segundo se sentiu hipnotizada por eles.
- A Lola veio conferir se estava acordado. Provavelmente para avisar que o restante das suas coisas chegaram.
- Lola? Minhas coisas? – Amélia debruçou sobre o peito dele e o encarou zangada.
- Sim, minha doce amante austríaca – ele segurou seu rosto nas mãos enormes e sorriu matreiro. – Estou falando da minha única funcionária nessa casa. - ele apertou o abraço em torno dela. - Adoro essa sua marra, me faz querer acabar com ela de várias maneiras obscenas.
- Você é um ...sem vergonha – seu protesto inflamado foi calado com um beijo profundo dele, a barba raspando sua pele provocando arrepios e lembranças eróticas.
No mesmo instante seu corpo reagia a ele, como se ele tivesse todo o poder de despertá-la para a paixão quando quisesse. Ele se afastou alguns centímetros, beijou seu colo e enganchou uma mecha escura de seus cabelos atrás da orelha.
- Mesmo que eu aprove a ideia de ficarmos trancados aqui pelos próximos dias, precisamos arrumar suas coisas.
Ele a ajudou a se levantar, seus corpos tinham o mesmo cheiro, Amélia adorou isso.
A crise do final do dia exauriu suas energias, se lembrava vagamente de Ícaro a amparando pelo corredor vazio, de entrarem no carro e depois tudo era um borrão.
Se sentir cuidada dessa forma era tão inacreditável, não sabia como ele reagiria a uma crise daquelas. Mas surpreendentemente, esse homem ficou, e abrigou em seus braços.
-Me desculpa por ontem. Eu não queria te envolver nisso.
Ele se aproximou com um roupão branco, e entregou a ela. Seus olhos transmitiam segurança e cumplicidade. Amélia sentiu lágrimas se formarem.
Quando alguém se importou com ela dessa forma? Com exceção de Sam, nem mesmo seus progenitores a compreenderam.
-Não deve se desculpar por extravasar suas emoções. - ele pegou de volta o roupão, e a vestiu com ele. - Sei que acredita que precisa se explicar, mas não é necessário. Não quero te ver chorando hoje.
Amélia não aguentou a emoção, pulou no pescoço dele, abraçando com carinho. Ela apreciava cada detalhe dele, cada pequena nuance que descobria de Ícaro Darius.
-Vou descer para buscar algumas roupas para você e ver se a Lola já serviu o café. - beijou suavemente os lábios dele.
Amélia concordou com um aceno. Uma terrível dor de cabeça começou a incomodá-la.

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