Amélia
Seus olhos turvos pelo sono focalizaram as paredes negras com detalhes dourados. As cortinas translúcidas escuras que adornavam o dossel da cama enorme oscilavam com o vento que entrava no quarto.
Flashs de momentos intensamente eróticos começaram a passar pela sua cabeça. Ícaro algemando suas mãos, explorando seu corpo com suas mãos habilidosas, ordenando comandos autoritários, e o chicote de couro que ardia em sua pele a cada vez que se esquecia de responder corretamente.
Amélia sentiu-se quente ao se lembrar daquelas cenas.
Fazer sexo com alguém tão experiente era sempre tão bom assim.
Olhou para o lado. O divã em formato estranho foi palco de uma das experiências mais deliciosas que já sentiu na vida.
Ícaro a colocou ali de quatro, cordas de seda amarraram seu corpo com nos intricados, a cada movimento, o tecido e a pressão estimulavam ao máximo seus sentidos.
Ele a provocou com instrumentos leves em pontos apertados pela corda, e instrumentos rústicos em seus pontos mais sensíveis. Amélia sentiu o rosto esquentar violentamente ao lembrar das mordidas ávidas de ícaro nos lábios molhados e pulsantes de sua buceta gozada.
Quando ele a penetrou pela sétima vez naquela noite, Amélia sentiu algo diferente entrar junto com o pau enorme dele. A sensação de vibração e a pulsação do membro que rasgava seu interior, era absurdamente prazerosa.
Perdeu a conta de quantas vezes se perdeu no clímax de seus gozos seguidos. Em algum momento, seu corpo cedeu de exaustão, ainda preenchido por Ícaro, que acariciava sua pele deliciosamente.
Amélia se virou na cama. Era estranho para ela a ideia de acordar com alguém, o cochilo parecia ter sido longo.
Pela forma com que seu estômago roncava de fome, gastou todas as suas energias. Um arrepio de prazer percorreu o seu corpo quando sentiu os dedos dele deslizando por sua pele, ela encontrou seus olhos prateados.
- Deve estar faminta, vou buscar algo pra você comer. – as mãos grandes a colocaram encaixaram nas dobras de sua cintura. – Não tente se mexer por algumas horas. Volto logo.
- Espere, o que quer dizer com.. – Ele se levantou, sem se importar com a nudez.
Amélia tentou acompanhá-lo, mas seu corpo cedeu sobre o colchão, incapaz de se levantar. Estava tão esgotada assim?
Moveu o lençol devagar, seu corpo nu estava cheio de marcas da boca e das mãos de Ícaro, seus tornozelos ainda mantinham as tiras de couro com argola que ele usou para fixar a posição de suas pernas com uma barra fina.
Entretanto, seu corpo estava limpo, e cheirava a óleos essenciais.
Ele cuidou até mesmo da limpeza dela enquanto ela dormiu?! Levou a mão a sua intimidade, não havia semem ou fluidos dela mesma. Mas o inchaço e o ardor a assustaram, agora entendeu o que ele quis dizer.
- Não se preocupe, logo você estará bem. – a voz dele interrompeu seus pensamentos.
Com a maior naturalidade, ele se sentou na cama, colocando uma bandeja sobre as pernas dela.
Ícaro beijou a boca dela, seus olhos misteriosos, percorriam seu corpo. Amélia se cobriu com a ponta do lençol.
- Por que estou assim? – perguntou preocupada.
- É natural. A pomada que usei em você, vai diminuir o inchaço e a sensação de ardor. – Ele levou um morango maduro aos lábios dela.
Amélia saboreou a fruta, aceitando o copo de suco de laranja que ele oferecia.
- Que horas são?
- Quase seis. – ele respondeu, enfiando a mão por baixo do lençol, subindo devagar pelas pernas dela.
Ícaro retirou a bandeja, e pegou as mãos dela, levando-as aos lábios cercados pela barba grossa.
- Tem toda a minha atenção, pequena.
- Eu não quero ser alvo de fofocas na Acrópole. As pessoas tecem comentários crueis sobre esse tipo de coisa.
- Tudo bem. – ele pegou o tornozelo dela, beijando-o de uma maneira sensual. – O que aconteceu no meu escritório foi uma situação isolada.
- Há uma outra condição. – Amélia respirou fundo, prendendo o fôlego. -Não posso ser vista com você em público. – tinha que ser direta e acabar logo com aquela angústia.
Não podia correr o risco de ser fotografada. Infelizmente, o status de Ícaro atrai todo o tipo de atenção da mídia.
- Podemos ser discretos. – suas mãos tocaram o queixo forrado pela barba dele, teve uma necessidade imensa de repente demonstrar o seu carinho, seu alívio.
Nenhum homem concordaria com esse tipo de coisa sem questionar seus motivos. Mas ele confiava nela a ponto de nada perguntar.
- Eu não sou o tipo de mulher que eles gostariam de ver do teu lado. – ela respirou fundo e decidiu ser mais sincera. – Você é muito procurado pela mídia, e eu não posso ser exposta com qualquer tipo de relação amorosa em público.
- De acordo. Agora, e quanto as minhas condições? – ele segurou o queixo dela e buscou as respostas que ela não ousava dizer.
Amélia temeu que ele pedisse algo ousado demais. Ícaro era um homem insaciável, e se as suas condições fossem algo impossível de manter?
- Quais condições ? – perguntou hesitante.
- Três regras. – Icaro olhou para ele de uma forma penetrante. – Deve me obedecer sob quaisquer circunstância. – beijou levemente seus lábios. – Nunca permita que outro homem te toque. – percorreu a joia no pescoço dela, com a ponta de seus dedos. – Somente eu posso tirar ou substituir esse presente.

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