A Acrópole recebia vários empresários hoje. Anualmente havia uma conferência com os principais investidores da holding.
Louca pra escapar da pequena multidão no hall do prédio, ela caminhou rápido até o elevador.
Ícaro a deixou em casa com a promessa de um almoço na sala dela mais tarde. Ambos se despediram com um beijo que arrepiou até a alma de Amélia.
Ali sozinha no elevador, ela apertou a pasta de documentos que deveriam ser entregues do departamento de criação. Um sorriso bobo iluminou seu rosto corado.
A garota que cresceu com vários apelidos depreciativos, e quase morreu nas mãos de um monstro que a desprezava por ser uma mulher plus size; agora era a mesma mulher que estava dormindo com Ícaro Darius.
Queria contar a Sam sobre o que aconteceu na casa dele, conversar sobre a intensidade de tudo o que estava experimentando com esse homem incrível. Mas quando chegou, ela não estava em casa.
O papo de mulher ficou para outra hora.
Quando chegou no departamento do terceiro andar, recebeu uma mensagem de Ícaro. Havia uma imagem em anexo.
Uma fantasia de camaleão pendurada em um cabide. Conhecia bem aquela coisa horrível.
“O que você está fazendo com isso? Você me disse que ela foi jogada fora. Eu tive que pagar por essa porcaria!” enviou a mensagem zangada.
Concentrada no telefone, acabou trombando no carrinho da limpeza, e um pouquinho de sabão espirrou em sua saia.
- Merda... – Amélia olhou em volta, em busca de um toalete feminino.
O celular vibrou de novo.
“Não consegui me livrar dela. Você fica deliciosa de camaleão”
Esse sem vergonha! Que tipo de homem fica com tesão com um troço daqueles?!
Encontrando o banheiro, entrou e deixou as pastas de lado, para limpar a roupa. Duas mulheres conversavam dentro das divisórias.
- Você não sabe o que a Daniela me contou.
- Se for sobre a estagiária gorda da presidência, eu já estou sabendo.
- Ah que chato, eu que queria te contar.
- Uma coisa dessas, todo mundo está sabendo. Quem diria que um homem gostoso como o CEO da holding ia ter tara por mulheres feias.
- Soube que ela está chantageando ele.
Amélia levantou os olhos molhados, confusa com o que aconteceu. Olhos verdes, cabelos castanhos claros, óculos de aro, rosto esculpido em pedra com traços angulosos. Terno de alfaiataria italiana, sapatos de couro.
Esse homem só podia ser um dos irmãos Darius.
- Me.. me desculpe Sr. Darius. Não vai acontecer novamente. – ela se virou, na intenção de se retirar.
Mas ele segurou seu cotovelo esquerdo, impedindo seus movimentos. O homem olhou diretamente para a joia em seu pescoço com um olhar feroz, muito semelhante ao de Ícaro.
Por que ele olhava para sua gargantilha desse jeito? Era uma joia de família.
- Poderia me soltar, senhor? – perguntou incomodada.
- Tem algo a ser entregue, não? – perguntou soltando-a.
- Ah sim. – ela entregou a pasta preta com o logo da Acrópole. – São as novas artes aprovadas pelo setor financeiro.
- Ok. – ele pegou a pasta e deu as costas, caminhando pelo corredor com aquele ar arrogante e superior.
Amélia voltou para o elevador. O vidro refletia a imagem lamentável de seu rosto. Ela resmungou um palavrão. A maquiagem estava toda borrada por causa de suas lágrimas idiotas.

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