Amélia não saberia dizer exatamente o que a acordou, se era a claridade do sol da manhã ou o som de risadas animadas que vinham de algum lugar da casa.
Sonolenta e com as memórias embaralhadas, seguiu o barulho até sua fonte. Amélia parou no batente da porta da cozinha desconcertada, deveria estar sonhando porque só isso para justificar aquela cena.
Ícaro sentado confortavelmente à mesa, tomando café com Samanta que ria descontraída de algo que ele acabou de dizer.
Espera!
Por que ele estava aqui?
- Bom dia Mel. – Sam a notou logo depois de seguir o olhar divertido de Ícaro.
- Bom dia, desculpe se a acordamos. – ele a cumprimentou formando aquele sorriso de canto de boca que derreteria qualquer iceberg.
Ela observou o safado levar a xícara de café aos lábios. A barba dele estava perfeitamente alinhada, os cabelos arrumados.
- Bom dia... – foi a única frase que conseguiu murmurar.
Se conectar com suas lembranças da noite anterior estava muito difícil, ainda não conseguia se lembrar por que ele estava ali, e imaginava que isso se devia a dor de cabeça irritante que indicava uma ressaca.
Apertando as têmporas, aceitou a cadeira que ele puxou para ela ao seu lado, em seguida a serviu de café preto, Amélia pegou a xícara dando um longo gole. Precisava da cafeína urgentemente para começar a funcionar.
- Eu vou ao mercado, se precisar de algo me avise. – Sam dizia já se levantando, a sem noção dirigiu um sorriso brilhante para Ícaro. – foi um prazer conhecê-lo, fique à vontade.
- O prazer foi todo meu Samanta. – respondeu, correspondendo ao sorriso dela. Ao mesmo tempo, ele esticou a mão sob a mesa acariciando as pernas nuas de Amélia, provocando com movimentos insistentes, fazendo ela engasgar com o gole que acabara de ingerir.
Toda a sua atenção estava voltada para o toque dele, sua prima fechou a porta os deixando a sós.
O pouco raciocínio, fez ela se perguntar novamente o que diabos estava acontecendo. Não se lembrava direito do que houve na noite passada, e os pequenos fragmentos que começavam a surgir causavam um nó no seu estômago.
- Você passou a noite aqui?
- O que te parece, minha pequena? – as mãos grandes, subiram sinuosas pela parte de dentro das coxas dela.
Amélia sentiu seu sangue esquentar, Ícaro era uma droga em seu sistema. Toda vez que ele tocava só pensava em se entregar e derreter nos braços dele, e se saciar mais uma vez daquela necessidade de se sentir completa.
Mas ela precisava de um pouco de lucidez, precisava saber o que disse a ele na noite passada. E se chegaram a conversar.
- O que houve ontem? Minha memória está meio vaga.
- Você é mais covarde do que eu pensei. – ele disse, apertando suas coxas nuas, com um olhar desafiador.
- Eu não sou covarde!
Ícaro sorriu divertido, a abraçando forte. Merda, ele estava provocando seu senso de orgulho.
- Não há motivo para isso, não somos amigos, nós só fizemos sexo. – sair para almoçar com ele em pleno domingo, fugia da casualidade.
Se fizessem isso, era o mesmo que admitir que estavam juntos em algum tipo de relação.
- Discordo de você nos dois pontos desse assunto. – Ícaro afundava as mãos em seus cabelos e sem que ela notasse a carregava para seu quarto beijando sua pele quente do colo, rosto e boca.
Emaranhados na cama, tirou a roupa rapidamente. Em um segundo a camiseta dela também foi removida, A lentidão de Amélia não conseguia acompanhar a conversa, totalmente concentrada no olhar profundo cheio de desejo que ele expressava, as mãos grandes segurando o corpo dela contra a excitação latente.
- Devíamos conversar primeiro... – tentou protestar fracamente, mas seus braços envolveram o pescoço dele segurando os cabelos lisos, inclinando seu corpo para trás, como uma oferenda a ele.
- Agora você quer conversar? – ele a virou de costas, beijando a pele marcada - Chega de conversa. - disse apertando sua cintura, e posicionando seu quadril de forma que ela se abrisse para ele. – Não consigo mais me controlar, eu quero te foder gostoso, pequena.
A última frase foi sussurrada em seu ouvido, enquanto ele a preenchia por completo com uma única investida, arrebatando Amélia para aquele mundo surreal que se lembrava tão bem.

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