Ícaro a beijou ferozmente sem dar tempo de reação alguma, seus seios fartos arfarem contra peito viril dele, esse simples toque fez seu desejo galopar desenfreado novamente. Que corpo traidor.
Não! Ele poderia estar mentindo, pensou Amélia, interrompendo o beijo lascivo.
–Responda Amélia, por que está bêbada? – ela olhou para o rosto diabolicamente atraente, completamente perdida. - Posso fazer você falar de outra forma. Acho que é isso que você quer.
Ícaro deslizou as mãos dos cabelos para o pescoço, em seguida desceu mais, para os seios que reagiram no mesmo instante. “Meu Deus! O que eu faço com o meu corpo! Eu preciso resistir!”
O maldito sabia exatamente o tipo de efeito que tinha sobre ela.
- Me solta... – suas forças escorriam de seu alcance.
Amélia fechou os olhos quando as mãos dele começaram a brincar com o bico de seus seios, apertando com mais pressão de repente, para em seguida circular as auréolas suavemente .
-Eu disse que você merecia um castigo.
Os mamilos já estavam sensíveis quando ele voltou a aperta-los entre os dedos. Provocando uma pressão dolorosa e enlouquecedora.
– Ícaro!
- Isso mesmo, Amélia. Chame o meu nome, grite, e geme gostoso.
Voltando a se apossar de sua boca, Ícaro aproveitou que Amélia cedia lentamente, envolvida pelo desejo ela concedia passagem a língua insistente por entre seus lábios cheios.
De repente ele a beijou com mais intensidade querendo ainda mais, as mãos dela precisavam sentir a pele dele, tudo estava tão quente, nem sabia mais por que tinha tanta raiva dele.
Amélia se movia ritmicamente sobre ele, o atrito com a virilha pulsante fazia a feminilidade dela ficar úmida, molhando a calcinha de algodão.
Ela queria acreditar no que ele disse, porque assim poderia se entregar a esse prazer. Se render ao desejo que sentia por Ícaro era uma tentação. Amélia tentava se lembrar da mulher parada na porta do escritório a poucas horas. Mesmo assim, seu corpo não obedecia, se colando ao dele.
Os pensamentos dela voltaram a um instante de lucidez, Amélia olhou para os olhos prateados dele, perdida entre os avisos de perigo e a vontade que explodia dentro dela.
O medo de ser um brinquedo nas mãos dele, e a lembrança daquele flagrante da mulher deslumbrante acabaram com a confiança em si mesma.
Ela não passava de um desafio estranho para ele. Que homem em sã consciência deixaria aquela mulher linda de olhos azuis para ficar com alguém como Amélia Bastos.
As mãos dele seguravam o rosto dela, Ícaro buscava em seus olhos o motivo da mudança repentina em sua atitude. Se sentia perdida, a confusão abstrata em sua mente não deixava lembrar o que ele disse sobre a mulher.
Quem era ela?
“Para de procurar justificativas para ir para cama com ele de novo!” Amélia sentiu um aperto no peito. Quando foi que perdeu o respeito por si mesma dessa maneira?
Ele levantou seu rosto, seus olhos exibiam admiração e uma conexão profunda com a sua tristeza.
A necessidade de se proteger deixou de existir perto dele, ela se virou de costas, puxando os cabelos para frente mostrando a sua marca mais profunda e horrenda.
Sentiu as mãos dele tocando sua pele, as costas dela era a parte mais atingida pelos muitos castigos que recebeu, mas a obra prima de Fernando ficava um pouco abaixo da nuca onde havia uma queimadura enorme, feita na manhã seguinte à festa das máscaras.
As pontas dos dedos dele tocaram carinhosamente a pele sensível, contornando aquela marca em alto relevo. Amélia sentiu seus lábios beijarem a pele cicatrizada, em seguida foi envolvida pelo abraço quente e seguro.
Ícaro girou seu corpo de frente, beijando seu rosto marcado pelo choro, ele se abaixou e pegou a camiseta abandonada no chão. Com gestos suaves, vestiu Amélia, olhando para ela com uma expressão de serenidade que nunca viu no rosto dele. Nem no rosto de ninguém.
Os olhos castanhos transbordaram novamente, emocionada com a sensibilidade desse homem enorme, que sempre se mostrou rude e feroz.
-Vem. – ele a ajudou a caminhar pelo corredor que ficava ao lado da sala. – Me mostre onde é o seu quarto.
Amélia só conduziu até o último cômodo do corredor, em completo silêncio.
A lua cheia iluminava todo o ambiente, adicionando magia ao lugar. Ícaro colocou Amélia na cama e se acomodou junto a ela. Os braços fortes abraçaram seu corpo trêmulo, aninhando a cabeça dela em seu peito largo enquanto beijava seus cabelos bagunçados.
Em poucos minutos seus olhos já não conseguiam se manter abertos, uma leveza de se sentir segura, levou a sensação de flutuar, adentrando o sono tranquilo que há muito não tinha.

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