— Eu gostaria de saber. De quem... são essas crianças?
A voz dela era baixa. Sem agitação, sem pressa, apenas buscando confirmar os palpites.
Cinco anos atrás, ela retirou o útero, não podia mais ter filhos, era o seu maior pesar.
O lugar ficou mudo.
Sr. Jorge e Dona Elza se olharam com pesar e complicação, sem saber o que dizer.
Júlia apertou os lábios. Quis falar, mas parou, sentindo pena dela.
Guilherme abaixou os olhos e ficou calado.
O mais difícil de falar era Gabriel.
Como alguém que sabia de tudo e que mais conhecia a doença, o passado e a dor dela, ele sabia muito bem o que isso significava para Serena.
Depois de um tempo, todos olharam para Gabriel.
No fim, seria ele quem diria a verdade.
Gabriel suspirou de leve. Diminuiu a fala, tentando ser suave, para não abalar muito.
— Serena, vou dizer a verdade.
Serena olhou para ele, quieta. Os olhos calmos, aguardando.
Gabriel começou devagar, palavra por palavra: — O menino de quatro anos é filho da Helena.
— Quando você forjou a morte, ela deu à luz ele.
— Nesses cinco anos, o garoto ficou no Solar dos Valente. Eles o criaram, então ele é considerado o jovem mestre não oficial.
O olhar de Serena desbotou. Ela já esperava, não houve muita surpresa.
O que mais a importava era a garota de sete anos.
Ela perguntou baixo: — E a de sete?
Falando sobre Lili, a voz de Gabriel hesitou por um momento, e o rosto mostrou complicação.
Ele pausou bastante, escolhendo as palavras mais brandas, e disse: — Lili... se chama Alice Valente, tem sete anos.
— Ela é filha do Arthur, de anos atrás no exterior.
A frase, tão leve, caiu como uma marreta no coração de Serena.
O ar parou.
Ela continuou sentada, as costas ficaram duras. Os olhos mostraram espanto e amargura.
Sete anos.
Faziam exatos cinco anos que ela forjara a morte.
Júlia não se segurou: — Resumindo, o Arthur esconde bem! Ninguém imaginava que ele tinha uma filha fora no passado! Você sofreu com eles, ficou doente, ele te tratava com frieza, e mantinha a menina fora, é muita ironia!
— Se você não tivesse esbarrado nelas dessa vez, nós íamos esconder isso para sempre. Não queríamos te estressar com esses problemas!
As palavras de Júlia foram diretas e cortantes. Furaram o disfarce de cortesia e expuseram o absurdo.
Dona Elza olhava para Serena, triste, acalmando-a: — Bia, tudo isso já passou.
— Esses incômodos são o passado dele, não têm nada a ver com a você de agora.
— Você está bem, com a carreira feita, a salvo e livre, isso basta.
Sr. Jorge também comentou: — É, não esquenta. Ele te devia muito naquela época, não dá para explicar em duas palavras.
— Agora você voltou à terra natal, gloriosa, já saiu do mundo dele. Não perca tempo com ninguém.
Enzo abaixou os olhos: — Lili é filha dele, o menino é filho de Helena. Essa é a consequência do Arthur e da Helena.
— Não tem relação com você, nenhuma ligação.
— Você é Serena. A criadora da Seraphina Biotech, única. Não é mais a Beatriz que dependia dele e o amava.
Serena ouvia quieta. Demorou, soltou o ar. O amargo nos olhos foi saindo, voltando a ficar calma e indiferente.
Ela ergueu os olhos e acenou. Sua voz era firme: — Eu sei.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão