Ela não era mais aquela pessoa de anos atrás, que guardava rancor pelo amor e se consumia com a temperatura do coração alheio.
Mas a familiaridade e o laço que sentiu por Lili não tinham explicação.
Era filha de Arthur com uma estranha. Não tinham ligação de sangue, mas quando ela viu Lili pela primeira vez, a batida no coração e a maciez foram muito reais.
Serena murmurou baixo, como quem se pergunta: — É só que... A Lili, eu acho ela muito familiar.
— Quando a vi, fiquei estranha, não sei explicar.
Gabriel ouviu e soltou um suspiro:
— Talvez seja porque o rosto dela lembra um pouco o seu na juventude.
— O jeito dela é idêntico ao seu. Quieta, paciente, gentil, limpa. Mesmo morando num lugar ruim, ela é pura.
— Todo mundo sente carinho por ela. Você a achar familiar é muito normal.
Essas palavras mataram todas as dúvidas de Serena.
Então era isso.
Por isso teve pena, ficou mole e achou que a conhecia.
Ela acenou, aliviada, levantando um sorriso pequeno nos lábios.
— Então é isso.
Ela não quis saber das crianças, não pensou mais na loucura do passado.
Preocupar não servia, remoer não ajudava. O passado tinha sumido no vento.
Enzo viu a paz nela, mudou de assunto e quebrou o tédio:
— Chega de papo chato.
— Depois disso, os Souzas vão ajudar a Seraphina Biotech no país.
Era lógico, não tinha ligação com ela.
Mas desde que viu no centro de convenções, a Lili quieta.
Aquele rosto limpo colou na cabeça dela e não saía.
Principalmente quando a garota olhava, aquele olho claro.
Havia uma aproximação de nascença, não tinha explicação. Como se conhecessem e fossem ligados.
Serena estava atrás no carro, vendo as luzes pela janela. Encostou os dedos e a cabeça não parava.
Gabriel estava no banco de passageiro, olhou para trás e perguntou:
— Ainda pensando na criança?
Serena calou, e acenou.

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