Ele ergueu a cabeça: — Dona? O meu irmão nem liga para você, e essa casa não será sua por muito tempo. Pedi para fazer a comida porque te tolero. Não se ache tanto!
— Isso não é você quem decide.
— Vou repetir: não aceito as suas ordens e não vou fazer nada para você.
Ela não queria mais discutir.
Tinha ido lá para conversar com Arthur, mas encontrou a atitude de Hugo.
Se encontrasse o marido, a situação provavelmente só pioraria.
Hugo bufou: — O meu irmão saiu. Vai demorar. Ficar aqui não adianta de nada.
Beatriz ouviu, deu as costas e saiu.
Ao passar pela porta, a dor familiar no abdômen piorou.
Sentiu um calor forte pelo corpo logo em seguida.
Ela se apoiou na parede fria, sem conseguir ficar com a postura reta.
Nos últimos dias, ela havia passado por exames constantes, virado noites com o projeto e lidado com o estresse.
Com o frio da chuva, o seu corpo já fraco começou a ceder.
Ela mordeu o lábio inferior, sabendo que aquilo não era um simples cansaço.
Antes, para impedir que o câncer avançasse...
Ela tinha feito quimioterapia, e os efeitos colaterais ainda estavam ali.
O Dr. Lucas Silveira sempre a alertava sobre o risco de alergias.
Começou como uma leve coceira na pele.
Beatriz tentou ficar de pé, querendo ir embora para descansar.
Em poucos segundos, a coceira se espalhou. Pescoço, braços, barriga, pernas — a sua pele ficou coberta por manchas vermelhas.
As manchas eram altas e deixaram a pele inchada.
A coceira e a queimação causadas pelos remédios pioraram, causando dor.
Ela tentou coçar o braço, mas sentiu os inchaços e notou que a situação era grave.
A reação alérgica da quimioterapia agia rápido.
Logo, sentiu o peito apertar, e a respiração ficou difícil.
Ofegava, e cada respiração doía no peito. A sua visão embaçou.
Perdeu as forças, escorregou pela parede e sentou-se na escada da frente da casa.
Beatriz abriu os olhos com esforço. A sua visão estava turva, vendo apenas um vulto.
O seu peito subia e descia. Respirar era muito difícil.
Ao vê-la assim, Hugo entrou em pânico.
Ficou sem reação. Queria ajudá-la, mas tinha medo de tocar nas manchas vermelhas e hesitou.
Em meio ao caos, a primeira pessoa em que pensou foi no irmão, Arthur.
A casa era de Arthur, e ele era o único que podia chamar socorro.
Hugo pegou o celular com as mãos trêmulas.
— Arthur, volta rápido! Aconteceu alguma coisa! — gritou assim que a chamada foi atendida. — A Beatriz passou mal aqui fora.
— Ela está cheia de manchas e não consegue respirar. Parece bem ruim. Vem levá-la ao hospital, senão será tarde demais.
Ele falou rápido, explicando a situação.
Neste momento, Arthur estava no Apartamento Rio Vista.
Era ali que Helena morava com frequência.
O apartamento era bem decorado e quente, o oposto da chuva fria lá fora.

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