Nessa fase, os modelos e cálculos já estavam todos prontos. O teste de campo servia apenas para verificar a estabilidade em ambientes extremos, então a ausência dela não faria muita diferença.
Beatriz desligou o celular e abriu o sistema de pesquisa. Ela enviou formalmente o artigo acadêmico que havia sido revisado pelo Dr. Samuel Hoffmann.
Ao ver o aviso de sucesso na tela, ela deu um longo suspiro de alívio.
-
Na manhã seguinte.
Quando Beatriz chegou à Seraphina Biotech e se sentou, ouviu alguns pesquisadores conversando.
— Ouvi dizer que a Lumina Inovação desenvolveu um novo medicamento e a patente exclusiva da fórmula é deles.
— A Helena não assumiu a empresa há pouco tempo? Como o progresso foi tão rápido?
— Com o apoio dos Valente, vários pesquisadores de ponta foram contratados. É normal que consigam terminar um novo projeto em tão pouco tempo.
Ao verem Beatriz se aproximar, eles perguntaram: — Diretora Nogueira, a Seraphina tem algumas parcerias com a Lumina. Você sabe alguma coisa sobre o novo projeto deles?
Beatriz segurou o seu copo e deu um leve sorriso: — Não tenho muito contato, então não sei muito sobre isso.
Ela ficou surpresa. Há pouco tempo, a Lumina Inovação vinha perdendo projetos e o seu fluxo de caixa estava quase zerado. Agora, do nada, anunciaram o desenvolvimento de um novo medicamento.
No entanto, como eles tinham muitos talentos de ponta em pesquisa, um avanço repentino fazia sentido, embora a publicidade parecesse exagerada.
— Dizem que a ideia do novo medicamento concorre diretamente com o medicamento contra tumores que estamos pesquisando, e o custo de produção é ainda menor.
Beatriz tomou um gole de água, com a expressão calma: — Um avanço dos nossos concorrentes é bom para o setor e beneficia os pacientes. Desejo sinceramente que o desenvolvimento deles seja um sucesso.
Ela separava a vida pessoal da profissional e nunca ficava contra um concorrente por causa de problemas pessoais.
-
À tarde.
Beatriz estava concentrada organizando os dados dos testes clínicos quando Gabriel entrou na sala.
— O novo medicamento da Lumina realmente tem potencial.
Gabriel falou em tom sério: — O efeito compete com os remédios importados de ponta e o custo dos materiais foi muito reduzido. Depois que a produção em larga escala começar, o potencial de mercado será gigantesco, tanto aqui dentro quanto para exportação.
Beatriz olhou para ele: — Ouvi os colegas comentando hoje cedo. Não imaginei que eles realmente iriam investir nisso.
— Não apenas os efeitos são ótimos, mas a tecnologia de liberação contínua é um método totalmente novo.
Gabriel acrescentou que essa tecnologia era, por acaso, a mesma melhoria que Beatriz havia planejado nos seus rascunhos anteriores.
— São tão sem-vergonha, fazendo com que uma reunião de negócios vire um encontro.
Beatriz conseguia sentir a raiva da amiga mesmo pela tela. Ela riu e fez uma ligação.
— Como a pessoa mais ocupada do mundo tem tempo de ler notícias sobre economia hoje?
— Transformaram uma licitação importante numa capa de revista de fofocas. Vieram falar de negócios ou exibir o romance deles? — Júlia respondeu.
A voz de Beatriz estava calma: — Você é que está prestando atenção nos boatos. Está se esquecendo do projeto em si.
— Só por essa notícia já dá para perceber que o Arthur está disposto a fazer de tudo para apoiar a Helena e abrir portas para ela.
Júlia parecia confusa: — Quando vocês eram casados, você claramente superava a Helena no talento científico e no valor comercial. Mesmo assim, ele sempre limitou o seu crescimento. Nunca deixou você participar dos projetos principais, apenas a manteve em casa para cuidar de coisas que não importavam.
— Foi só porque não te amava? Mesmo se não falarmos de sentimentos, isso não faz o menor sentido do ponto de vista do lucro.
Beatriz costumava se fazer as mesmas perguntas.
Houve um tempo em que ela achava que a convivência aos poucos mudaria uma pessoa. Mas, no fim, ficou com as mãos vazias.
— Juju, você já ouviu uma frase?
Beatriz falou suavemente: — Nunca tente mudar os outros. É como a chuva. Você pode usar um guarda-chuva ou pegar um táxi para ir para casa, mas não pode obrigar a chuva a parar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão