Lembrando-se do que havia acontecido naquela noite, Beatriz foi direto ao ponto: — A vovó disse hoje que, se não nos damos bem, ela mesma cuidaria do nosso divórcio.
— Pela atitude dela, não é impossível aceitar a separação. Da última vez, ela falou que a Helena estava grávida, tomando o lado dela.
— O prazo de sigilo que combinamos pode ser cancelado, e as cláusulas do divórcio podem entrar em vigor mais cedo.
— Você já preparou o caminho para a Helena. Não há necessidade de continuarmos fingindo e escondendo a verdade.
Arthur a encarou em silêncio. O clima dentro do carro ficou ainda mais tenso.
Ele ouviu tudo sem mudar a expressão.
Ele brincava com um isqueiro de metal entre os dedos. Olhou para a janela e falou em um tom distante e desinteressado: — Ainda não é hora de encerrar o acordo de confidencialidade.
Uma única frase acabou com qualquer proposta de Beatriz.
Ela deu um sorriso de lado e não disse mais nada.
Conhecia muito bem o jeito do Arthur. O contrato estava ali, no papel. Se ele quisesse adiar, qualquer palavra a mais seria em vão.
Ele claramente queria se apegar ao prazo e enrolar os dois, apenas para irritá-la.
Após um breve momento de silêncio, Beatriz soltou uma risada, mas não havia alegria em seus olhos: — Você tem tanto ódio de mim assim? Precisa continuar me prendendo em vez de me soltar?
Tudo aquilo já era passado e qualquer pessoa conseguiria seguir em frente, mas ele continuava agarrado ao que tinha acontecido.
Arthur finalmente parou de olhar pela janela. Ele virou o rosto com calma e a analisou: — De onde você tirou isso?
Beatriz sentiu apenas vontade de rir da atitude alheia de Arthur.
Ele nem sequer se importava com os problemas dela. Ela queria cortar todos os laços de forma limpa, mas isso nunca daria certo com ele.
O carro logo parou em frente ao prédio de Beatriz.
Arthur olhou para o prédio pela janela: — Ficou com tantas propriedades no divórcio e ainda mora de aluguel. Não pensa em se mudar?
— Pode deixar, eu vou arrumar um tempo mesmo se estiver ocupada.
Depois que Valentina voltou a dormir, Beatriz foi para a sala e ligou para Gabriel Santos.
— Vou precisar tirar uma licença do teste do novo medicamento na semana que vem.
Gabriel ficou surpreso. O projeto já estava definido há muito tempo, e estava combinado que ela lideraria a equipe.
— Mudou de ideia de última hora?
— O período de teste é muito longo, vai levar pelo menos quase um mês. Eu não posso deixar a Val sozinha em casa.
Gabriel pensou um pouco. O teste seria exaustivo e ela não vinha se sentindo bem ultimamente. De fato, não era uma boa ideia ela ir, então concordou de imediato.
— Tudo bem. Você pode acompanhar os dados remotamente durante os testes e só ir pessoalmente na etapa final.

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