Júlia Paiva viu as duas na mesma hora. Estreitou os olhos e falou com um tom mais frio: — Aquela é a senhora da família Valente escolhendo vestidos com a futura nora?
Beatriz Nogueira franziu levemente o cenho.
Alguns amigos antigos da família Valente de fato dariam banquetes em breve, então fazia sentido que Dona Luísa viesse escolher um vestido.
No passado, seria ela a acompanhá-la para lidar com essas trivialidades.
Júlia decidiu mudar de loja imediatamente. Não havia necessidade de ficar ali se incomodando e estragando o próprio dia.
— Beatriz?
O olhar de Helena Nogueira passou por elas, sendo a primeira a reconhecê-las, e fingiu surpresa ao falar: — Que coincidência, vocês também vieram escolher vestidos para o banquete?
Ao ouvir o nome de Beatriz, o rosto de Dona Luísa escureceu na hora. Ela ergueu o olhar com aversão, focando em Beatriz com um escrutínio não disfarçado.
— Saiu para fazer compras, está usando o cartão de quem?
Júlia cruzou os braços e riu com frieza: — Você se intromete bastante.
— A senhora está bem desocupada, fazendo compras com a futura nora, enquanto deixa a verdadeira nora de lado.
— Que absurdo. — O rosto de Dona Luísa ficou ríspido de repente. — A família Paiva é uma família decente, como criaram alguém tão sem filtro como você?
Júlia não recuou ao devolver o olhar: — A família Valente também é uma família prestigiada, como criaram um filho que trai?
— Eu só disse a verdade e a senhora não gostou de ouvir? Só o seu filho pode errar, e os outros não podem falar nada?
Vendo a situação, Helena se adiantou rápido para apaziguar as coisas e falou suavemente: — Não fique brava, Dona Luísa, a Srta. Paiva deve ter entendido mal o meu relacionamento com o Arthur.
Ela virou a cabeça para Beatriz, com um sorriso gentil e inofensivo no rosto. Tomou a iniciativa e estendeu a mão para segurar o braço da irmã.
Com tantos anos de relação entre sogra e nora, ela já considerava Beatriz como uma empregada que podia comandar quando quisesse.
Beatriz abaixou os olhos e observou calmamente a roupa entregue a ela. Depois, falou de forma neutra: — Se não for conveniente para você pagar, pode simplesmente chamar seu filho. Não precisa me incomodar.
Dona Luísa engasgou por um momento e soltou um riso de desdém: — Meu filho não é o seu marido? Que diferença faz se é você ou ele que paga? Por acaso quer embolsar a indenização da família Valente?
Júlia quase quis retrucar aquela lógica distorcida na mesma hora.
Antes que Júlia pudesse falar, Dona Luísa já havia puxado Helena para continuar escolhendo, ignorando a atitude de Beatriz por completo.
Ela apontou para um vestido sob medida com estilo de noiva na vitrine, falando com um tom íntimo: — Esse modelo é elegante, com certeza vai ficar bonito em você. Peça para a vendedora pegar para experimentar.
— Se servir bem, depois peço para o Arthur encomendar um sob medida para você.

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