Na frente de Beatriz, ela escolhia descaradamente um vestido de noiva para Helena, não se importando nem um pouco com a presença dela.
Beatriz ainda era nominalmente a esposa da família Valente, mas Dona Luísa já tratava Helena como a futura nora, não lhe dando a mínima consideração.
— Escolham com calma. — O rosto de Júlia estava fechado e seu tom era sarcástico: — Se não acham vergonhoso, fiquem à vontade para provar.
Dona Luísa a observou, sem vontade de discutir: — Você é jovem, não entende as convenções sociais, não vou me importar com você.
Em seguida, virou-se para Beatriz: — O que está esperando? Venha logo escolher junto, depois vai ter que pagar, não perca tempo.
Beatriz ficou completamente irritada com aquela postura agressiva.
A mulher a estava forçando a escolher, com as próprias mãos, o vestido de noiva para a amante, esmagando sua autoestima no chão.
— Não tenho obrigação de pagar a conta para você, muito menos de escolher vestido de noiva para outra pessoa.
Beatriz continuou: — Se, na sua idade, precisa de alguém para lhe servir em tudo, não saia de casa para ser motivo de piada.
O rosto de Dona Luísa empalideceu de imediato.
A nora que antes era submissa e obedecia a tudo que dizia, agora a enfrentava em público. Isso a fez perder a cara.
Depois de falar, Beatriz virou-se para ir embora.
— Pare aí mesmo. — Dona Luísa repreendeu com severidade. — Quem te deu coragem para falar comigo nesse tom?
Beatriz não parou de andar.
— Se tiver a ousadia de dar mais um passo para fora dessa loja hoje, farei o Arthur te expulsar da família Valente!
Beatriz virou a cabeça e devolveu um olhar frio, com um tom calmo: — Era tudo o que eu queria. Por favor, arranje isso o mais rápido possível, estarei aguardando.
— Com a sua origem e o seu temperamento, a pessoa que deveria estar nesse lugar seria você. Ela nunca chegaria lá.
Helena sorriu de leve e fingiu humildade: — Coisas do destino, não podemos forçar.
Dona Luísa se sentiu reconfortada com as palavras e olhou para fora da janela, onde o céu estava escuro: — Parece que vai chover forte. Vou ligar para o Arthur e pedir que venha nos buscar.
Do outro lado, depois de sair da loja de vestidos, Júlia soltou um longo suspiro, a raiva no peito ainda sem passar.
— Qual o problema dessas pessoas? Estão achando que somos fracas só porque engolimos sapos?
Beatriz ia abrir a boca, mas seus passos pararam de leve, e logo depois deu um tapinha no ombro de Júlia, indicando que não precisava ficar irritada.
— Não fique brava. — O tom de Beatriz era indiferente. — Ela ainda está com a velha impressão de que eu sou a nora da família Valente. Só não conseguiu mudar de ideia rápido.
— Não podemos controlar as ações dos outros. Basta controlar as nossas emoções e já é o suficiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que "Morreu": O Despertar da Obsessão