— Não aceito essas coisas esquisitas.
Mandar presentes depois do divórcio, com essa postura ambígua, era apenas irritante.
Ela não queria mais laços com ele, muito menos aceitar aquela esmola.
O assistente travou, sem sair do lugar.
— Leva embora, não vou repetir.
O assistente ficou em silêncio por um momento e, no fim, pegou o vidro e saiu.
— Postura firme. — Guilherme se aproximou devagar, com um leve sorriso. — Elas quebraram a cara bonito hoje.
— O que aconteceu no hospital, afinal? Você nunca me contou direito.
Beatriz massageou as têmporas pesadas: — Uma briga boba, já foi resolvida.
Essas coisas davam nojo e dor de cabeça.
-
Na manhã seguinte ao seminário, Beatriz foi ao hospital.
De longe, viu Dona Regina e Helena cuidando da transferência da amiga.
Arthur falava ao celular no final do corredor, aparentemente tinha ido lá pessoalmente para acompanhar a saída da paciente.
Quando Dona Regina viu Beatriz, sua expressão mudou na hora, demonstrando insatisfação.
Helena puxou a manga da mãe, sinalizando para ela cumprir o combinado.
A contragosto, Dona Regina engoliu o orgulho, olhou para Beatriz e disse: — Desculpe.
A voz foi baixa, pura obrigação.
Do outro lado do corredor, Arthur ouviu e ergueu os olhos devagar, olhando para elas.
Beatriz esboçou um sorriso de canto: — Isso é um pedido de desculpas?
Dona Regina cerrou os punhos com força, deu uma olhada disfarçada para Arthur, abaixou a voz novamente e repetiu o pedido.
Beatriz deixou para lá e foi direto para o quarto da tia Lúcia.
Não adiantava discutir.
— Como você lidou com elas? Hoje elas foram embora mesmo.
Beatriz abriu a porta e sentou no banco do passageiro: — Não dava para falar por telefone?
Guilherme ligou o carro e seguiu para a Sede da Maimai Pharma—
Lá era o maior investidor do projeto e o local escolhido para a reunião.
— A empresa da Helena deu problema de novo.
O olhar de Beatriz congelou e ela se virou para ele.
— O parceiro quebrou de novo. Esse fornecedor era a primeira opção do Instituto Seraphina, mas o Arthur meteu o bedelho e, no fim, a Helena ficou com eles.
Tudo fez sentido na cabeça de Beatriz.
Ela esfregou as têmporas e sentiu um medo tardio.
Se não tivessem tomado a frente naquela época, o Instituto Seraphina estaria na pior.
— Como isso aconteceu do nada?
— O dono foi acusado de receber propina. Ele foi investigado por operações ilegais e o projeto desmoronou. — disse Guilherme.
Dois parceiros de peso falindo um atrás do outro seria um golpe fatal para uma empresa recém-aberta.

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