Mesmo que Helena cobrisse o buraco financeiro de antes, os atrasos no projeto e a reputação manchada na indústria já seriam dor de cabeça de sobra.
O carro entrou no prédio da Maimai Pharma.
Vários conhecidos do setor viram Beatriz e ficaram surpresos, comentando em segredo como ela saiu de baixo para virar a pessoa à frente do projeto.
Na sala de reuniões, Helena e Nicolas já estavam sentados.
Depois da vergonha no seminário, Helena não fez questão de puxar assunto. Ficou de cara amarrada o tempo todo, evitando olhá-las de propósito.
Guilherme riu por dentro; mesmo naquela situação, ela ainda se mantinha na pose.
Logo, os representantes e os convidados do governo chegaram todos.
A porta da sala de reuniões se abriu. Arthur, num terno bem cortado, caminhou devagar para dentro.
A economia estimula o desenvolvimento e a expansão internacional é indispensável. É claro que ele também
— Desculpem a demora. — Ele sentou de forma tranquila, olhou de leve para todos e mandou: — O relatório de progresso do projeto vai começar com o Instituto Seraphina.
— Se der certo, vai virar comércio exterior.
Parcerias de exportação e acordos entre grandes nações exigem diplomacia.
Toda empresa quer isso.
Ele ergueu o olhar para Beatriz, com o tom de voz calmo: — Pode começar.
Beatriz fez um relatório rápido e tranquilo sobre o andamento do projeto.
Os funcionários do governo presentes franziram a testa e perguntaram.
— Pelo plano original, o projeto devia estar andando firme. Por que ainda não saiu do papel?
Helena falou na hora certa, fingindo um tom amigável: — A nossa empresa entende muito de tecnologia médica. Se a Seraphina empacou mesmo, pode passar o projeto pra gente.
— Sou muito boa em assumir problemas complicados assim.
Os outros parceiros na sala viram a cena e começaram a cochichar.
Arthur batucava os dedos na mesa, com as pernas cruzadas. Seu olhar parou em Beatriz e ele perguntou num tom grave: — Você tem alguma objeção?
Beatriz se levantou, respondendo em voz clara e firme: — Tenho.
Helena não conseguiu esconder o sorriso, se achando o máximo, pensando que Beatriz estava encurralada e tinha que pedir arrego.
Ela disse: — Gostei da sinceridade. Se a barreira técnica for muito difícil, é só pedir. Nós somos parceiros, temos que nos ajudar.
Beatriz ignorou a encenação, olhou para a sala inteira e disse, pausadamente: — Eu exijo a exclusão da Lumina Inovação do Projeto Vanguarda Feminina.

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