O Dr. Samuel saiu devagar, com as mãos nas costas, olhou para Beatriz e falou com satisfação: — Parabéns pelo primeiro lugar nacional.
Beatriz deu um tapinha no ombro de Valentina e riu: — Com quem você aprendeu a falar tão bem?
— É a verdade. — Valentina olhou para cima com admiração.
Ao ver a menina saudável, alegre e despreocupada, Beatriz sentiu-se tranquila, e todo o cansaço sumiu.
Depois, ela conversou com o Dr. Samuel sobre o andamento dos novos projetos do instituto e voltou para casa.
Valentina sentou-se comportada para assistir anime, sem fazer barulho, para não atrapalhar seu trabalho.
Assim que Beatriz ligou o computador, o celular tocou. Era Dona Elza Souza.
— Beatriz, amanhã é seu aniversário. O que você quer comer? Vou pedir para prepararem para você.
Beatriz parou por um momento, percebendo que os dias tinham passado tão rápido que ela quase havia esquecido o próprio aniversário.
Ela olhou o calendário. Seu aniversário caía na véspera da Festa da Reunião Familiar. Segundo a tradição da festa, ela precisava ir ao Solar dos Valente. Arthur já havia mencionado isso quando estavam em Águas de Santa Fé.
— Mãe, você está viajando para cuidar de projetos ultimamente, não precisa voltar só por isso.
Dona Elza insistiu: — Antigamente, você sempre passava o aniversário na casa dos Valente ou dos Nogueira. Eu nunca comemorei direito com você desde que era criança.
Beatriz abaixou os olhos.
No passado, ela esperava pelo aniversário todos os anos só para ter uma desculpa para ficar a sós com Arthur.
Ele sempre aceitava os presentes e passava um tempo com ela de forma simbólica, mas nunca se importou de verdade.
Naquela época, ela ficava feliz e contava os dias.
Mas agora, ela já não tinha mais essa obsessão.
Se não fosse pela ligação de sua mãe, nem teria lembrado da data.
— A empresa está numa fase importante agora. Aniversários acontecem todos os anos, não precisa voltar só para isso.
Depois de muita insistência, Dona Elza finalmente cedeu e prometeu comemorar quando terminasse a viagem de trabalho.
Ele bateu no ombro dela, com um tom de preocupação: — Não se cobre tanto.
— Eu sei que você quer se firmar na profissão, mas precisa relaxar de vez em quando para não acabar com a sua saúde.
Beatriz ia dizer que ainda tinha muitas coisas para resolver, mas foi interrompida pelo Dr. Samuel.
— Hoje você está oficialmente de folga. — O tom do Dr. Samuel não dava espaço para discussão. — Não quero ficar com a fama de explorar os mais novos.
Ela passou dias correndo atrás de projetos e escrevendo artigos em ritmo intenso, quase sem descanso.
O Dr. Samuel não conseguia mais ver aquilo e estava decidido a fazê-la relaxar por um dia.
Beatriz não conseguiu recusar a gentileza e acabou rindo.
Aos olhos dos outros, ela realmente havia se tornado uma viciada em trabalho.
E assim, o Dr. Samuel a convenceu e a colocou para fora do instituto.
Assim que chegou à porta principal, ela viu...

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