Assim que ela disse isso, o clima ficou estranho.
Tendo acabado de se divorciar e já sendo confundidos com namorados, Beatriz sentiu nojo.
Ela conferiu os recibos, assinou e falou de forma impassível:
— Desculpe, não temos mais nada. Esse carro é a compensação do meu que foi destruído num acidente dele. Acordo feito.
O sorriso da vendedora congelou na mesma hora e ela ficou parada ali, constrangida, sem saber o que fazer.
Arthur não demonstrou reação, apenas instruiu secamente:
— Pode passar o cartão.
Ele olhou para Beatriz e perguntou de forma casual:
— Quer fazer um test drive?
— Não. — Ela recusou de forma direta.
Beatriz não queria perder tempo na concessionária. Quando os papéis ficaram prontos, ela pegou as suas coisas, entrou no carro, deu partida e foi embora.
O assistente Lucas observou-a ir sem hesitar e não pôde deixar de murmurar:
— A Srta. Nogueira... mudou muito depois do divórcio.
Antes, perto de Arthur, ela era dócil, dependente e vivia preocupada.
Agora, mal queria ficar perto por um segundo a mais, tentando se afastar o máximo possível.
Arthur olhou para ele de soslaio, sem dizer nada.
Lucas percebeu que tinha falado demais, abaixou a cabeça logo e ficou calado.
— Volte para o hospital.
Beatriz dirigia o carro novo saindo da concessionária, sentindo a direção macia e confortável.
Tirando carros de corrida, carros normais não faziam muita diferença para ela.
Ao anoitecer, o pôr do sol cobria a cidade. A brisa era suave, e a luz da tarde, agradável.
Livre das amarras sufocantes daquele casamento, ela finalmente sentia que a vida podia ser leve e solta.
-
Beatriz bateu a porta do carro e falou com tranquilidade:
— Ele só foi rápido para manter a imagem de que é bom para a Helena e a protege de tudo na frente dos outros.
Júlia deu uma risada fria na hora:
— Quer dizer que do início ao fim, você só serviu de cenário para a historinha de amor deles?
— O Arthur também é bem pão-duro. Em tantos anos casados, nunca vi ele te dar joias ou bolsas que prestassem.
— E olha a Helena, vive trocando de relógios caros e bolsas de edição limitada. Quase nunca repete.
— Eu não acredito que as empresas da Família Nogueira deem conta desse gasto dela.
Com o tom carregado de desprezo, Júlia continuou perguntando:
— Aquela parceria entre a Lumina Inovação e o Sr. Maurício Meirelles deu um prejuízo gigante. Como é que eles resolveram essa bagunça? Nem preciso pensar muito, com certeza o Arthur pagou a conta.
Beatriz deu de ombros, sem alterar a voz:
— Não sei, e também não me importo de saber.

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