Ele olhou para Beatriz, com o tom sério:
— Você acha... que esse acidente não foi obra do acaso?
Beatriz abaixou o olhar e falou com calma:
— É cedo para tirar conclusões.
Lá no fundo, ela já desconfiava. O carro tinha passado por uma revisão profissional completa naquele mês e, em condições normais, era impossível os freios falharem.
Mas também não dava para descartar um erro durante a manutenção.
Agora era o ponto crucial do projeto importante do governo e, assim que fosse aprovado, mexeria com os interesses de muita gente.
Eles já tinham uma ideia de quem teria motivos e oportunidades para agir.
Se fosse sabotagem, se tratava de tentativa de homicídio doloso.
Mas sem provas concretas, tudo era apenas um palpite.
Júlia cerrou os punhos de raiva, falando com um tom irritado:
— Se alguém fez isso de propósito, eu vou atrás até o fim para fazer essa pessoa pagar!
Na sociedade atual, ousar usar um método tão cruel para machucar os outros era de dar nojo.
Gabriel levantou a mão para ela se acalmar:
— Não tire conclusões precipitadas antes do resultado.
Falar por impulso não resolveria nada e poderia alertar o inimigo.
Até ter provas sólidas, a escolha mais segura era ficar em silêncio e esperar o relatório.
Eles deixaram esse assunto de lado por enquanto, aguardando o laudo.
O mais urgente era avançar com o desenvolvimento do projeto e controlar cada etapa.
Beatriz ajustou o ritmo e voltou ao trabalho intenso. Quase na hora de sair, o seu celular tocou.
Identificador de chamadas: Arthur Valente.
Os dedos dela pararam por um instante.
Já que o divórcio tinha sido finalizado, ela deveria bloquear aquele número.
Mas ainda havia o acordo de confidencialidade e outras cláusulas para resolver, então não dava para cortar o contato de vez.
— Pode escolher o modelo. Se gostar de um, é só fechar.
Ele selecionou alguns modelos que Beatriz provavelmente iria gostar.
O salão exibia vários carros. Beatriz não tinha preferência, então apenas deu uma olhada rápida e escolheu um aleatoriamente.
Arthur observou as especificações do modelo e levantou uma sobrancelha:
— Tem certeza que quer esse?
Beatriz assentiu:
— Vai ser este.
Ela nunca ligou para o preço.
O carro anterior tinha sido um presente dele logo que casaram. Na época, ela o tratou como um tesouro.
Mas as coisas mudaram e agora, por melhor que fosse o carro, era só um meio de transporte e não merecia atenção.
A vendedora ao lado, vendo aquilo, logo se aproximou com entusiasmo para preparar a papelada, elogiando com lábia:
— O Sr. Valente é tão bom para a namorada. Muito generoso. E a sua namorada tem muita classe, vocês combinam demais.

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