Helena Nogueira olhou na direção que Nicolas Valente indicou.
De fato, o olhar do Dr. Vicente Camargo para Beatriz Nogueira não escondia em nada a sua desaprovação e o claro distanciamento.
Ela deu um leve e quase imperceptível sorriso, com um tom desdenhoso: — A indústria é a sobrevivência do mais apto, e a área de pesquisa exige habilidade real.
— Sem uma base profissional sólida, mesmo que consiga entrar na Seraphina Biotech, ela não vai se manter lá.
Helena cruzou os braços, desviando o olhar calmamente, com um tom de certeza: — Pelo que vejo, ela não vai durar muito na Seraphina.
Nicolas, no fundo, desprezava Beatriz.
Tinha apenas uma aparência bonita, mas uma mente estreita e teimosa, sem qualquer noção de limites.
— Nunca a vi com ambição profissional antes.
Nicolas olhou para Helena, com um tom analítico: — Foi só porque você voltou ao país e a sua carreira decolou brilhantemente. Ela ficou com inveja e correu para tentar seguir o mesmo caminho.
— Sabe que não tem a mesma capacidade que você, mas ainda faz birra para provocar o meu irmão.
Ele soltou um riso frio: — Provavelmente ela não percebeu até agora que o meu irmão está decidido a se divorciar. Agora entrou em pânico total, sem a mínima noção da própria insignificância.
— Quero só ver se, quando o período de reflexão antes do divórcio acabar, ela vai assinar os papéis e abrir mão sem cerimônia, ou se vai chorar e se humilhar tentando reatar.
Ouvindo isso, Helena abriu um sorriso leve e gentil.
Em termos de capacidade, formação e visão, ela sempre esteve à frente de Beatriz. As duas não estavam no mesmo patamar, não havia comparação.
Ela virou a cabeça e olhou para Arthur Valente ao seu lado.
O homem olhava para a tela do celular, parecendo responder a mensagens de trabalho, com uma expressão apática e distante.
Não se sabia o quanto ele tinha ouvido da conversa.
Mas Arthur nunca gostou de falar muito sobre Beatriz, sempre lidou com isso de forma indiferente.
Helena arrumou casualmente o cabelo, fingindo ser compreensiva: — Não há nada de errado em uma mulher ter ambições, mas quando a ambição não condiz com a capacidade, isso não é um ideal, é delírio.
Sorrindo para Arthur, ela disse em tom de brincadeira: — Cada um tem os seus pontos fortes. Alguns nasceram para o mercado de trabalho, outros para cuidar da casa com estabilidade.
— Às vezes sinto inveja da Beatriz, que cuida de todos os detalhes domésticos tão bem.
Em seus olhos escuros havia uma leve indiferença, e o seu tom foi pausado: — Cuidar da família Valente sempre foi a responsabilidade dela.
— Quanto ao trabalho, deixe as coisas seguirem o seu curso. Depende da vontade dela. Você não precisa se incomodar em arrumar um lugar para ela.
Helena assentiu, pensativa.
Pelo que ele disse, não queria que ela tivesse pena ou ajudasse Beatriz?
Também havia a insinuação de que ela não precisava interferir nos assuntos particulares dos dois.
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Por outro lado, o Dr. Vicente Camargo convidou Beatriz e Gabriel Santos para almoçar.
Oficialmente, era um pequeno encontro para colocar a conversa em dia, mas, na verdade, servia para alinhar os projetos principais do instituto de pesquisa e, de quebra, revisar o andamento do desenvolvimento da Seraphina Biotech.
Eles escolheram uma casa de chá tranquila e elegante, com salas privativas isoladas do barulho.
Ao abrir a porta, o aroma do chá tomou conta do ambiente, acalmando a inquietação e relaxando o corpo e a mente.

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