Seu tom era calmo, e ele acrescentou de forma sugestiva: — O Dr. Vicente Camargo sempre foi rigoroso. Ele só reconhece a nova geração que trabalha duro no cenário local, e não suporta pessoas impacientes que apenas ostentam currículos do exterior.
Essas palavras foram diretas ao ponto, insinuando que Helena exibia demais seus diplomas internacionais, mas não tinha resultados práticos no mercado nacional.
Os veteranos da pesquisa científica valorizavam o patriotismo e a dedicação acima de tudo. Eles nunca viam com bons olhos a atitude de exibir qualificações estrangeiras e a pressa em ganhar fama.
Gabriel Santos inclinou-se ligeiramente: — Dr. Vicente, tenho um assunto para conversar em particular com o senhor. Podemos nos afastar um pouco?
O Dr. Vicente ergueu a mão para Arthur e Helena, em sinal de despedida.
Arthur acenou com a cabeça, com educação impecável: — Vá com cuidado, Dr. Vicente.
Quando o Dr. Vicente passou por Arthur, soltou um leve bufo de desdém, sem dizer mais nada, e virou-se para acompanhar Gabriel.
O rosto de Helena ficou ainda pior. Ser rotulada de exibida e de desdenhar o mercado nacional a deixou furiosa e ressentida.
Arthur olhou para ela, consolando-a em um tom suave: — Por que ficou chateada?
Helena ficou em silêncio, sentindo-se injustiçada.
Em termos de formação acadêmica e base profissional, ela se considerava muito superior a vários alunos do Dr. Vicente. No entanto, ele a rejeitava friamente. Era teimoso demais.
Arthur deu uma risada baixa: — O Dr. Vicente está velho, tem uma mentalidade conservadora e guarda preconceitos contra quem estuda fora. É normal. Não ligue para isso.
— Se você quer um veterano para orientar sua tese, posso te apresentar outras autoridades da área.
A expressão tensa de Helena suavizou um pouco. Ela respirou fundo e disse: — Não estou com raiva, só acho que eles têm preconceitos demais. São muito arbitrários.
— Com a minha capacidade profissional, se eu fosse aluna do Dr. Vicente, o apoio acadêmico e os recursos de pesquisa que eu traria para ele seriam incalculáveis. Ele não tem motivo para recusar com tanta teimosia.
— Além disso, ele ainda tem vagas para orientar alunos de pós-graduação. Ele não fechou totalmente as portas para os mais jovens.
Arthur a olhou de lado e explicou num tom calmo: — Ele já está na fase de se aposentar e aproveitar a velhice. Só quer paz, não quer mais se desgastar com novos projetos ou treinando novatos.
Helena pensou melhor e achou que fazia sentido.
Ela se curvou educadamente e o cumprimentou com respeito: — Dr. Vicente.
O Dr. Vicente fingiu estar bravo. Ele apontou para ela, com um tom de quem lamentava o desperdício de seu potencial: — Você não tem jeito, garota!
Essa cena foi vista por Nicolas Valente, não muito longe dali.
Na visão dele, a expressão do Dr. Vicente demonstrava pura irritação e aversão por Beatriz.
Ele riu intimamente. Para ele, Beatriz não tinha talento real além da boa aparência. Ela não era bem-vinda pelos veteranos em lugar nenhum.
E era muito cara de pau, sem o mínimo de autoconsciência, ousando aparecer em um evento tão prestigiado para tentar chamar a atenção.
Nicolas Valente desviou o olhar, virou-se para Arthur e Helena, e sussurrou: — Olhem só, o Dr. Vicente claramente está muito insatisfeito e detesta a Beatriz.
— Ele provavelmente não gosta que o Gabriel a tenha colocado na Seraphina Biotech. Deve achar que ela não está à altura de uma posição central e que só está ocupando uma vaga à toa.

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