Arthur segurava o telefone com uma mão enquanto folheava e assinava documentos com a outra.
Após ouvir o relato do RH, seu olhar escureceu ligeiramente. Ele abaixou a caneta, entregou o documento ao assistente e disse apenas uma palavra: — Entendi.
A emoção era calma, a reação indiferente. Não dava para notar nenhuma raiva.
Para os outros, ele deveria estar irritado.
Afinal, a pessoa que ele mesmo arranjou e colocou na Seraphina Biotech acabara de ser demitida sem piedade, o que era claramente uma perda de prestígio em público.
Mas ele estava incrivelmente calmo.
Arthur conhecia a personalidade de Helena melhor do que ninguém.
Desde criança, tudo deu certo para ela. Acostumada a se destacar, era sempre o centro das atenções e a líder onde quer que fosse.
Entrar na empresa e ser colocada na base era uma injustiça que ela não suportaria. Com o ego tão alto, era inevitável que perdesse o controle e causasse problemas.
Ele já tinha percebido tudo isso.
O RH desligou a ligação.
Helena baixou os olhos para o aviso de demissão frio no celular, com o rosto pesado. Ficou paralisada.
Ela nunca imaginou que a Seraphina Biotech seguiria a vontade de Beatriz e a demitiria sem mais nem menos.
Nesse momento, Nicolas abriu a porta do escritório e logo notou o clima tenso. A expressão dos dois não era boa.
— O que aconteceu? Não íamos jantar juntos depois do trabalho? Por que estão com essas caras?
Arthur levantou o olhar e falou em um tom neutro: — A Seraphina Biotech demitiu a Helena.
— O quê?
Nicolas franziu a testa, com desdém na voz: — Pelo que vejo, o limite da Seraphina Biotech é esse. Crescer mais do que isso vai ser impossível.
Helena franziu levemente a testa. Estava insatisfeita, por falta de prestígio e favoritismo.
Ela sabia que, na Seraphina Biotech, as relações pessoais valiam mais do que a competência.
Beatriz era a protegida do maior acionista da empresa. Ela não perdeu por falta de capacidade, mas por falta de apadrinhamento.
Seu orgulho não permitia que ela implorasse para voltar. Isso não faria sentido.
Ela decidiu que faria a Seraphina Biotech se arrepender no futuro. Perder uma ajuda como a dela seria um erro irreparável.
Momentos depois, Helena conteve as emoções, recuperou a calma no rosto, guardou o celular e fechou a mensagem de demissão.
— A Seraphina Biotech é injusta. Só liga para contatos, não para talento. Ficar lá seria um desperdício.

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