Beatriz puxou a respiração fundo.
Isso era empurrar a pessoa para um caminho sem saída à força.
Ela apertou os lábios de leve: — Então chama as fábricas de fora. Dando para produzir, depois o caminho sempre anda.
Enzo concordou.
Fazer produção internacional ia custar bem mais caro, mas, com a situação agora, já não tinha mais escolha.
Eles não podiam impedir Arthur de colocar toda a força para ajudar Helena. Tinham só que ficar no canto e fazer as próprias coisas bem.
O aniversário de três anos de morte do avô se aproximava. Beatriz se dividia entre o projeto e a organização corrida da cerimônia.
Nesse meio tempo, ela falou com várias fábricas do exterior e encontrou uma linha de produção que atingia a exigência; o projeto não ia se perder de vez nas mãos dela.
A avó ligou, e quis saber se estava tudo no esquema, repetindo os detalhes várias vezes. Tinha medo que ela esquecesse algo.
Beatriz falou que tudo andava num bom caminho, e a senhora desligou o telefone aliviada.
Depois que desligou o telefone, a senhora sentou na cadeira de balanço e, olhando para a foto antiga do avô na mesa, tocou na borda do porta-retrato com os dedos e falou com a voz falha: — Num piscar de olhos, já faz três anos.
Tudo que tinha passado passou pela cabeça, e ela suspirou de leve.
— Que Deus cuide da Beatriz e do Arthur. Esses dois andam brigando à toa ultimamente.
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A cerimônia de três anos do Sr. Benedito Souza ia ser feita no antigo casarão da família Nogueira.
Nos anos passados, era só limpar o túmulo de forma simples, mas como o ano de agora era importante, a família queria fazer as orações em casa primeiro, e depois ir junto para o cemitério.
O Sr. Ricardo Souza saiu lá do hospital só para isso. Veio vestido de preto, o corpo magro e pálido, já sem a vivacidade do passado.
Beatriz olhou, e a ponta do nariz ardeu de leve.
O Sr. Ricardo Souza também pegou uma doença forte, e o corpo já não era mais como antes.
A doença corrói. Em poucos anos, a pessoa vira outra.
A Dona Marta Souza cuidou dele o tempo todo com o maior cuidado.
O Sr. Ricardo Souza viu que Beatriz vinha sozinha e correu os olhos para trás dela. Como não achou Arthur de vista, fechou a cara ali mesmo.
— Onde anda o Arthur?
— Cheguei, cheguei. — A senhora deixou as coisas na mão dela: — Foi tudo que o seu avô gostava antes de fechar os olhos. Mandei fazer; ele vai ver e abrir o sorriso.
Enzo e Dona Marta Souza chegaram perto para cumprimentar. Conversaram algumas palavras, mas os olhos do Sr. Ricardo Souza batiam sempre na porta. Estava na cara que esperava pelo Arthur.
A senhora viu aquilo e acalmou: — Não fica olhando. O Arthur já vai chegar. Pela manhã eu o avisei especificamente.
O Sr. Ricardo Souza deu um grunhido frio e continuou com a cara ruim.
Sendo o genro, era um absurdo não se importar com o aniversário de três anos de morte do avô.
A Dona Marta Souza, com medo de o clima ficar pesado, juntou logo as peças: — Arrumem logo a mesa. O menino já chega.
Todos começaram a trabalhar, pondo a fruteira, colocando papel e arrumando a vela.
Beatriz agachou e organizou cada coisa de perto com todo cuidado, mas o peito ficava abafado por turnos.
A dor da quimioterapia aparecia volta e meia, e ela tinha que segurar à força.
A senhora foi até ela e falou baixo: — Beatriz, dá uma ligada para o Arthur e descobre onde ele foi parar.
Os dedos de Beatriz pararam, e ela olhou para baixo: — Se ele estiver ocupado, não precisa vir.

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