Beatriz sacudiu a cabeça de leve: — Não tem precisão.
Quem é sempre o favorito não tem medo de nada, ela já tinha aprendido isso antes.
Para disputar um restinho de carinho, ela quebrou a cara feio. Agora, só queria colocar a energia em si mesma.
Helena tinha um currículo bom, ajudada pelos seus contatos, mas o mercado nunca sentiu falta de gênios.
Se ela queria subir para um patamar mais alto, não ia poder ficar sem o Arthur jogando dinheiro no caminho para pavimentar a estrada.
Se fosse para ficar com raiva dessas coisas, ela já não ia ter nem mais ar para respirar.
Depois que a fase passada do laboratório terminou, o novo projeto logo foi colocado em pauta.
As leis de agora davam muito apoio à inovação médica. O laboratório também queria tentar pegar um projeto nacional, e fazer de verdade um resultado que desse frutos.
Naqueles dias, Beatriz quase vivia mergulhada em documentos. Passava o modelo de pesquisa de novo e de novo, e engolia as dificuldades técnicas uma por uma.
Depois de conversar com ela algumas vezes, Gabriel ficou cada vez mais espantado com a base e as ideias dela: — Você nunca pensou em pegar a liderança técnica do projeto nacional importante?
— Esse cargo sempre esteve vazio. O Dr. Alberto Cassel, no fundo, queria você para a vaga.
— Se eu for falar com ele, não vai ter grande problema.
Com a capacidade que Beatriz tinha hoje, ela segurava as coisas numa boa.
Beatriz franziu um pouco as sobrancelhas e ficou em silêncio por um momento.
— Espera mais um pouco.
Com o estado do corpo dela no momento, não se sabia se ela ia conseguir aguentar até o final de um projeto tão grande.
Ainda mais porque ela não queria fazer que nem antigamente, apostando a vida inteira numa coisa só.
— As duas empresas agora estão fazendo remédios para o mesmo fim. Os canais, quem faz parceria, quem investe, bate o olho e vê que tem gente pesada bancando eles, e viram todos para o lado deles. Ninguém aqui tem coragem de pegar as nossas coisas.
Ela já devia ter pensado nisso. Arthur não ia fazer o bem para os Souzas sem nenhum motivo.
Essa "ajuda" dele era só para alavancar a Helena no caminho, vendendo favor aos Nogueira, mas já cortando os laços de saída deles.
— A única linha de produção do país que consegue fazer os controles de impurezas pegou o pedido deles e cortou a gente na mesma hora.
A voz de Enzo estava cheia de cansaço: — As outras firmas pequenas não aguentam a parte técnica. Não conseguem fazer a nossa fórmula.
De uma só vez, projeto, criação e parcerias, ficou tudo travado.
Beatriz puxou a respiração, guardando o peito abafado, mas com a voz igual, sem tremer: — O projeto anda. Os nossos exames clínicos e as ideias são mais fortes que as deles. No final a cura do remédio é que vai falar.
Mas ela também sabia muito bem que, na frente de quem mandava no dinheiro e nas opções, focar só na técnica não dava para ir muito longe, na maioria das vezes.

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