Letícia praguejou no coração contra a maldita família Cavalcante e o bastardo com um pé em dois barcos.
Julia não disse nada. Ela abaixou a cabeça e experimentou o bolo de cereja, achando as cerejas daquela estação muito amargas.
Depois de comer o bolo, Julia achou sem graça e quis ir embora.
Ela pretendia evitar Clarice, então as duas não se encontraram durante a festa.
No entanto, pouco antes de partir, Julia esbarrou com Clarice no banheiro.
Ela estava retocando a maquiagem e no telefone, com um tom animado.
— ... Não me importo, quero que você venha me buscar pessoalmente. Fica tão longe da Villa Valente, você não vai me deixar voltar a pé.
O outro lado disse algo.
Ela piscou:
— ... Lucas, não se esqueça de quem cuidou de você quando se machucou. De qualquer forma, se não vier, vou reclamar para a Sra. Helena.
Depois de terminar, Clarice desligou o telefone e, ao se virar, esbarrou em Julia.
Ela hesitou, sorriu e cumprimentou Julia.
— Julia, você está aqui também. Não te vi agora há pouco.
— Vim com uma amiga. — Julia disse casualmente. — Tenho coisas a fazer, já vou.
Clarice a parou.
— Julia, Lucas vai me buscar daqui a pouco, vá com a gente.
— Não precisa.
Julia recusou friamente.
Mas Clarice a bloqueou:
— Julia, eu sei que você não gosta de mim, mas sempre nos vemos. A Sra. Helena e Lucas vão ficar constrangidos no meio de nós. Por que agir assim...
— Não é não gostar. Eu tenho nojo.
Julia a interrompeu:
— Lucas e eu ainda não nos divorciamos. Você passando dos limites assim me dá nojo. Mas não importa, você sempre foi sem vergonha.
Julia abaixou o olhar e disse:
— Na verdade, é sem graça você agir assim, sendo falsa e atuando como uma atriz. Não se cansa?
Ao terminar, virou-se e foi embora.
Atrás dela, Clarice empalideceu, apertando levemente as mãos.
— No chão, no sofá, no banheiro. Se não der, no teto.
Lembrando-se de Lucas ontem à noite, mostrando fraqueza, Julia desligou inexpressivamente o telefone.
De qualquer forma, ele era duro na queda.
Mas dormir no chão, sofá ou banheiro era, claro, impossível.
Lucas era o dono do Condomínio Brisa do Lago e Dona Nair não podia expulsá-lo, então deixou que ele se aproveitasse para entrar.
No entanto, ela colocou uma coberta no quarto principal e trocou metade do lençol.
Metade cinza e metade branca.
Com uma clara divisão.
Lucas ergueu os olhos e lembrou:
— ... A Julia e eu somos casados.
— E daí?
Dona Nair olhou para ele:
— O senhor e a senhora estiveram separados por dois anos. Mesmo que agora queira começar de novo, as coisas não são tão fáceis. Volta quando quer dormir junto, e vai embora quando briga. A senhora é uma fada, não uma estátua de barro para ser maltratada.

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