Julia ficou surpresa.
Depois de estarem separados por muito tempo, os mais velhos iriam reclamar. Ainda mais com a vida que o Lucas levava, onde um problema de casamento podia estragar o serviço dele.
Seu sogro, Sr. Augusto Valente, era um cara correto. E quando perguntou do divórcio não foi apenas pelo Lucas, foi para acabar com aquela briga entre os dois.
E o Lucas?
Ele queria o divórcio?
Lucas olhava muito para ela. Bateu a cinza do cigarro, e falou devagar: — Não quero o divórcio.
E continuou com calma: — Fui recém transferido. Hoje o pessoal está me vigiando esperando o pior. Um casamento ruim, com moral suja, é a pior das coisas. Meu pai vai vir falar do divórcio. O que você acha?
Julia franziu a testa.
O que ela achava?
Deveria estar aliviada, mas a cabeça dela estava um pouco ruim no momento.
Nesses dois anos ela achou que não ia ter problemas com a Família Cavalcante. Ela não era a Julia de antigamente.
O crescimento da filha também não era problema. Tanta gente cresce sem pai e vive feliz, ela lidaria com isso como se ele estivesse morto.
Julia não abriu a boca.
De repente, Lucas a puxou e falou grosso: — Então, quer o divórcio?
Com dois anos de brigas, Julia estranhou ele a puxar.
Ela não sabia o que ele tinha na cabeça. Se tinha brigado com Clarice, ou se bateu a cabeça.
— Vou pensar. — Julia o tirou de perto dela. — Lucas, você saiu por dois anos, você não vai fazer o que te dá vontade.
Julia não conseguia entender. Ele só faltava casar com Clarice, mas não queria o divórcio agora.
Talvez por causa do trabalho, ou outra coisa.
Julia não queria pensar naquilo.
Ela não era um objeto, não ficaria submissa para sempre.


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