O banquete prosseguiu.
Paloma Prado não tinha ânimo. Caminhou até as janelas do chão ao teto. Ali estava frio; logo a ponta de seu nariz ficou vermelha. Ela baixou os olhos para o celular. Hesitou por um instante, mas, por fim, ligou para Dionísio Guerra.
O som de chamada ecoou pelo aparelho.
Após tocar por alguns segundos, Dionísio atendeu. Seu tom era extremamente calmo: — Paloma? O banquete está ocorrendo bem?
Paloma ouviu a voz dele.
Não sabia o motivo.
Seu peito se encheu de amargura.
Como se um grande peso houvesse sido tirado de seus ombros.
Mesmo tendo decidido partir, mesmo querendo cortar laços, ela ainda sentiu alívio naquele momento. Após um período de silêncio, o homem do outro lado da linha falou em voz baixa: — A data da viagem já está confirmada.
Paloma murmurou um leve "sim".
Continuava sendo a mesma data.
O itinerário não havia sido alterado.
A noite estava mergulhada em silêncio.
Aquele palpitar passou novamente pelo coração de Paloma. O sonho passou diante de seus olhos como num carrossel. Lá, ela e Dionísio se amavam tanto; na realidade, estavam prestes a seguir caminhos opostos. A mulher sentiu um traço de arrependimento e certa relutância. — Adeus, Dionísio.
Eles se veriam de novo, mas quem saberia quantos anos se passariam.
Quando se encontrassem, apenas diriam:
Há quanto tempo.
Cuide-se.
Ao desligar, uma lufada de vento frio a atingiu, congelando seu rosto.
Paloma tocou as bochechas.
Estavam cobertas de lágrimas.
O choro embaçou sua visão.
Diante de seus olhos, surgiu a última cena do sonho.
Grávida de Joana, sentada num banco da praça.
Envolta no sobretudo leve de lã do homem.
Dionísio Guerra segurava a estrelinha, iluminando a praça com o brilho. Ele sorria, exalando felicidade, olhando-a com ternura. Quando o fogo de artifício apagou, ele se aproximou, acariciou o ventre dela levemente e sussurrou: — Paloma está em casa.
Paloma suspirou longamente.
Seu interior demorou a encontrar paz.
— Paloma.
O chamado da Sra. Alves veio de trás.
Ao se virar, Paloma exibia o rosto banhado em lágrimas claras.
Isso surpreendeu a Sra. Alves.
A Sra. Guerra abriu a porta.
Ao ver o filho naquele estado, seu coração doeu tanto que ela chorou. E ver sua expressão aumentou ainda mais o sofrimento. Ninguém conhece um filho melhor do que a própria mãe. Ela sabia perfeitamente que ele estava pensando em Paloma e nas crianças. Aproximou-se, segurou a mão direita dele e murmurou: — Por que não contamos a Paloma? Ela tem um coração mole. Se souber que você se machucou para salvá-la, talvez queira ficar.
Dionísio abaixou os olhos para o próprio braço.
Deu um sorriso amargo.
Como ela ficaria?
Uma mulher que fica por pena.
Só prova a incompetência do homem.
Retê-la será apenas um fardo. Paloma merece céus melhores. Não ser a acompanhante de um marido mutilado, de temperamento volátil.
Dionísio apoiando-se com uma mão.
Cambaleou até a janela do chão ao teto.
As folhas das árvores haviam caído.
Restavam apenas galhos nus.
Ele ergueu a mão, apontando ao longe, e falou num tom baixíssimo: — O jato particular dela passará por aqui em alguns dias. Mãe, acha que ela sentirá minha presença? Quando chegar à França, lembrará de mim? Arranjará um namorado?
Enquanto falava, o próprio Dionísio começou a rir.
Um sorriso fraco.
Um sorriso amargo e dolorido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível do Bilionário
Gente eu amava esse site mais agora eles tão cobrando pra ler tá doido...