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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 452

Mia

As palavras vieram pelo telefone e pousaram em algum lugar dentro do meu crânio mas não se conectaram a nada.

— A Srta. Porter foi encontrada inconsciente em sua cela durante uma verificação de rotina por volta das 4h17 am.

Meus olhos estavam abertos mas eu não estava mais vendo o quarto. Estava vendo a parte de trás das minhas próprias pálpebras por dentro, aquela escuridão vermelha estranha que você tem quando fecha os olhos contra a luz forte. O quarto estava na penumbra. E algo estava acontecendo com minha visão, se fechando para dentro, as bordas ficando suaves e escuras.

Pisquei. Uma vez. Duas. O quarto voltou.

O cobertor cinza ainda estava me cobrindo pela metade, um canto enrolado na perna esquerda. Minha caneca de café estava na mesa onde a tinha deixado — conseguia ver uma película se formando na superfície da água, aquele brilho oleoso que acontece quando a água fica parada demais. Kyle ainda estava dormindo no outro lado do sofá.

Tudo estava exatamente como havia estado trinta segundos atrás.

— A equipe médica chegou imediatamente mas não conseguiu reanimá-la. O horário do óbito foi determinado como 4h51.

Olhei para a tela do celular. O contador da chamada ainda estava rodando. 7h03 agora.

Duas horas e doze minutos atrás.

Abri a boca. O queixo parecia estranho, como se as dobradiças tivessem sido substituídas por algo que não encaixava direito.

— O que...

Engoli. Doeu. Quando minha garganta tinha começado a doer?

— O que aconteceu?

Papéis se embaralharam do outro lado. Aquele som específico de documentos institucionais sendo manuseados — o suave sussurro de papel sobre papel, o leve farfalhar de uma página sendo virada. Conseguia imaginar claramente. Uma pasta manila. Formulários. Registros de observação. A maquinaria burocrática da morte avançando.

A voz do diretor permaneceu firme. Ensaiada. O tom de alguém que já deu versões dessa notícia antes, que aprendeu exatamente quanta emoção remover, como fazer a tragédia soar como papelada.

— Não posso divulgar detalhes enquanto a investigação estiver em andamento. No entanto, os achados preliminares indicam lesões autoinfligidas consistentes com...

Ele parou.

O silêncio na linha se estendeu.

— Consistentes com o quê? — eu perguntei.

Minha voz soou normal. Perfeitamente normal. Como se eu estivesse perguntando sobre o tempo. Como se meu coração não estivesse tentando sair à força do peito.

— Suicídio, senhora.

A palavra caiu no espaço entre nós.

Suicídio.

Taylor se matou. Taylor está morta.

Esperei algo surgir dentro de mim. Algum sentimento. Alguma reação.

— Senhora, entendo que isso é difícil, mas...

— Não.

Me sentei mais reta. O cobertor escorregou das pernas, acumulando no chão. Pressionei a palma na testa. A pele parecia estranha. Quente demais. Ou fria demais. Não conseguia dizer qual.

— A senhora não entende. Taylor era...

Como explicar?

Como você conta para um estranho que a mulher que acabou de morrer na instituição dele era alguém que precisava de plateia? Que encenou a própria vida como se fosse uma peça de teatro? Que não conseguia nem se autodestruir sem garantir que todo mundo estivesse assistindo?

Que me empurraria escadaria abaixo de mármore na frente do meu marido para garantir o máximo de dano — físico e emocional — presenciado e irreversível.

Aquela Taylor.

— Ela era dramática — eu disse por fim.

— Ela precisava que as pessoas soubessem. Vissem. Ela teria deixado algo. Uma carta. Uma mensagem. Ela teria se certificado de que eu...

Parei.

— Senhora? — A voz do diretor havia assumido uma qualidade diferente. Preocupada agora. Como se talvez eu estivesse entrando em choque e ele fosse treinado para reconhecer os sinais. — A senhora ainda está lá?

— Sim. Estou aqui.

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