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A Esposa Indesejada e Seus Gêmeos Secretos romance Capítulo 453

Mia

— Alguém... — comecei, então parei. Tentei de novo. — Havia alguém com quem ela era próxima? Lá dentro? Alguém com quem ela conversava?

Mais sons de papel. — A Srta. Porter foi descrita pela equipe como reservada. Não tinha incidentes documentados com outras detentas. Nenhuma associação próxima foi observada.

Reservada.

Aquela Taylor havia sido reservada na prisão.

— E a cela dela? — eu perguntei. — Havia algo — diários, cartas, desenhos — qualquer coisa que pudesse explicar...

— Pertences pessoais padrão foram recuperados e registrados — o diretor disse. A voz havia assumido aquele tom administrativo de novo. — Alguns livros da biblioteca do presídio. Artigos de higiene pessoal. Uma fotografia. Nada que indicasse...

— Fotografia de quê?

Uma pausa. — Não posso discutir pertences pessoais específicos durante uma investigação em andamento, senhora.

— O legista realizará uma autópsia completa — ele continuou. — Os relatórios toxicológicos tipicamente levam de quatro a seis semanas. Uma autópsia psicológica completa será realizada, incluindo entrevistas com a equipe, revisão dos registros médicos, análise de quaisquer escritos...

— Há mais alguma coisa em que posso ajudá-la, Srta. Williams?

— Não — eu disse. — Obrigada.

— Novamente, meus mais profundos pêsames. Alguém do nosso escritório entrará em contato sobre a liberação do corpo e dos pertences pessoais assim que o legista concluir o exame.

— Tá bom.

— Tenha um bom dia, senhora.

Tenha um bom dia.

A ligação terminou.

A tela apagou.

Atrás de mim, Kyle estava acordando.

Ouvi ele subir à superfície. Os pequenos sons da consciência retornando. Um gemido. Movimento. O sofá rangendo sob o peso dele.

— Mia?

A voz estava grossa. Rouca de sono.

— Que horas são? — Kyle perguntou.

— Cedo — eu disse. — Umas sete.

— Você dormiu?

— Um pouco.

Conseguia sentir ele me olhando.

— Mia. O que houve?

Me virei para encará-lo.

Ele estava sentado para frente, cotovelos nos joelhos, o cabelo espetado de um lado. A camisa estava amassada além do reconhecimento.

— Taylor está morta — eu disse.

— O quê?

— O presídio ligou. Esta manhã. A encontraram inconsciente na cela. Ela morreu às 4h51.

Kyle ficou muito quieto. — Como?

— Autoinfligido. Suicídio.

Ele acenou uma vez.

— Tá bom — ele disse.

Tá bom.

Aquela palavra única ficou no ar entre nós como uma pedra jogada em água parada. Sem ondas. Sem perturbação. Só peso.

— Tá bom? — eu repeti.

A voz saiu estranha. Mais aguda do que eu pretendia. Como se a garganta tivesse apertado sem a minha permissão.

— Você está bem? — A voz dele. Nada nele parecia chocado.

Ele parecia do jeito que ficava quando Morton lhe contava sobre um negócio fechado.

— Você fez isso?

A cabeça de Kyle disparou. — O quê?

— Você arranjou isso?

— Não. — Ele se levantou rápido. O movimento brusco. Súbito. — Pelo amor de Deus, Mia. O que você acha que eu sou?

— Não sei. — Eu também me levantei. Ficamos frente a frente sobre a mesa de centro.

— Taylor fez coisas ruins suficientes para acabar exatamente onde acabou — Kyle disse. — Não precisei mover um dedo. E certamente não ia me rebaixar a mandá-la matar na prisão. Não é assim que eu opero.

— Como você opera. — Eu ri. — Você fala como se fosse outro problema de negócios para resolver.

— Era.

— Não te entendo — eu disse por fim.

Kyle deu a volta na mesa de centro. Sem me tocar mas perto o suficiente para eu sentir o calor dele.

— Não matei Taylor — ele disse. — Não arranjai isso. Não pensei nisso nem uma vez. Parei de pensar em Taylor no momento em que ela foi presa. Estava feita. Não era mais um fator na minha vida nem na sua.

— Ela foi sua namorada no colégio. — As palavras saíram pequenas. Fracas.

A boca dele se torceu.

— Nunca amei Taylor — ele disse. — Nem uma vez. Nem por um segundo. A ajudei porque achei que ela era a menina do depósito. A que me deu esperança quando eu tinha cinco anos e estava apavorado. Era só isso. Era o único motivo. E no momento em que percebi que era você, não ela... — Ele parou. Engoliu. — Todo aquele relacionamento, se é que dá para chamar assim, desapareceu. Nunca foi real.

— K.T. Enterprises. Você nomeou assim por causa dela.

— Não. — A voz de Kyle estava firme agora. — Não foi.

— K.T. não significa Taylor — Kyle disse. — Nunca significou. Significa Kyle Technologies. Minha empresa. Meu trabalho. Nunca nomearia meu negócio em homenagem a uma namorada. Isso é idiota.

Ele se virou de volta para mim.

— É o tipo de coisa que a família Morton faz. Misturar negócios com casamentos arranjados e alianças familiares. É pensamento descuidado. Compromete o julgamento. E eu não comprometo julgamento por sentimento.

— Mas todo mundo dizia...

— Todo mundo presumiu. — Ele me cortou. — Que presumam. Nunca corrigi ninguém porque não importava. Taylor importava tão pouco para mim que deixei as pessoas acreditarem no que quisessem sobre uma sigla maldita.

A voz havia ficado fria de novo. Aquele gelo que eu reconhecia. Aquela distância.

— Você entende o que estou dizendo? — ele perguntou. — Ela era assim tão irrelevante.

Senti tontura.

— Você ficou com ela por anos. A levava a jantares. Eventos. A apresentava como sua namorada. Deixou ela usar o colar da sua mãe. Você...

— Desempenhei um papel — Kyle interrompeu. — Porque achei que devia a ela. Porque achei que ela me salvou. Mas nunca a amei. Nunca sequer gostei muito dela.

— Isso não é... — Eu parei. Recomeço. — Não é assim que sentimentos funcionam.

— Não é que eu não sinto nada. Sinto muito. Só não sinto tristeza. E não vou fingir que sinto.

Ficamos ali nos encarando.

— E ela nunca foi realmente minha namorada — Kyle disse. A voz estava mais quieta agora. Mais firme. — A gente nunca dormiu juntos. Mal nos beijamos. Ela queria algo de mim — o papel, o status, a atenção — e eu deixei ela ter. Pela esperança que me deu.

Ele parou.

— Exceto que nunca foi ela. Sempre foi você.

— Não te entendo — eu disse de novo.

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