Tiago não disse nada, apenas serviu uma tigela de sopa para ela e colocou um pedaço de costelinha, cozida até soltar do osso, na tigela dela. Quando seus dedos de articulações bem definidas roçaram a borda da tigela, ele parou de repente e olhou para a barriga dela:
— Agora há pouco estava mexendo, e agora ficou quieto.
Isabela baixou a cabeça, tocou a barriga e o sorriso se aprofundou:
— Deve ter sentido o cheiro da comida e está esperando para comer.
Assim que ela terminou de falar, houve outro movimento leve no baixo ventre, como se concordasse com ela.
Tiago riu e levantou a mão para limpar um pingo de sopa no canto da boca dela.
— Hum, isso conta como uma interação entre ele e nós.
O vento após o jantar trazia um frescor de plantas. Tiago colocou um xale sobre os ombros de Isabela e ajeitou-o cuidadosamente com a ponta dos dedos.
Os dois caminhavam de mãos dadas pela alameda arborizada do condomínio, e as luzes da rua esticavam suas sombras, deixando-as finas e longas.
Isabela andava devagar, com a mão presa na palma dele, sentindo um calor aconchegante.
Ela parou de repente, apontou para um gatinho encolhido num banco de pedra não muito longe e riu:
— Olha, ele também está tomando banho de lua.
Tiago seguiu o olhar dela e, ao baixar a cabeça, viu os fios de cabelo dela bagunçados pelo vento. Ele levantou a mão para colocá-los atrás da orelha dela, e a polpa do dedo roçou inadvertidamente no lóbulo da orelha dela, fazendo-a desviar levemente.
— Cansada? Se estiver cansada, pode descansar um pouco — perguntou ele em voz baixa. Sua palma já cobria o baixo ventre dela, onde houve um leve abaulamento, como se o pequeno estivesse lembrando a eles que também não estava ocioso.
Isabela balançou a cabeça, encostou-se mais nele, o ombro pressionando o braço dele:
— Não estou cansada, caminhar assim é bom.
Nos últimos três meses, ela caminhava quase todos os dias, pensando no parto normal mais adiante.
O vento noturno trazia o perfume das flores. Tiago virou a cabeça para olhá-la, o luar caía sobre as sobrancelhas sorridentes dela, deixando-a incrivelmente suave.
De repente, ele se inclinou e depositou um beijo leve no topo da cabeça dela, com a voz baixa como um sussurro:
— Se cansar, eu também posso te carregar.
Mal ela terminou de falar, houve outro chute leve na barriga.
O movimento de Tiago parou. Sua mão cobriu a barriga dela, e as pontas dos dedos desenharam o contorno, enquanto ele ria baixo:
— Ultimamente a atividade está bem frequente.
Dizendo isso, sua mão começou a fazer círculos devagar na barriga dela, com movimentos tão gentis como se tratasse de uma joia frágil.
Isabela recostou-se no sofá, virou-se de lado e abraçou levemente o pescoço dele, encostando a bochecha no topo da cabeça dele. O cheiro fresco do sabonete dele envolvia seu nariz, e o sono foi chegando aos poucos.
Depois que Tiago terminou de massagear as pernas dela, carregou-a para o banheiro para tomar banho.
Ao saírem, ele a abraçou cuidadosamente por trás, com as mãos apoiando firmemente a barriga dela e o queixo encostado na curva do pescoço dela. Sua voz era grave e cheia de afeto:
— Durma, eu estou aqui com você.
Isabela encolheu-se nos braços dele, os cantos da boca curvados num sorriso leve, e logo adormeceu profundamente ao som da respiração tranquila dele.

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