A sala de jantar ficou instantaneamente silenciosa por causa da frase de Tiago.
Estela foi a primeira a rir baixo, provocando:
— As boas moças de hoje em dia têm que ser reservadas com antecedência. O Diretor Nunes planeja mimar a filha a vida toda?
Isabela levantou os olhos para Tiago, com um olhar que continha um sorriso, mas também um aviso implícito.
O tom de Tiago suavizou um pouco, mas as palavras foram claras, deixando sua posição evidente:
— Ainda nem sabemos se é menina. Além do mais, eu tenho condições de sustentá-la. Mesmo que seja realmente uma menina, nem pensem nessa história de casamento arranjado.
— Pronto, pronto, mais um pai babão na área — Estela riu, massageando a barriga, e acenou com as mãos. — Não reservo, não reservo. De qualquer forma, serei a mais querida do bebê também.
Isabela virou-se para ela, segurando o riso e repreendendo:
— Tome logo a sopa, pare de pisar nele.
Estela levantou a tigela, tomou um gole e não esqueceu de dar a última alfinetada:
— Se vocês tiverem mesmo uma filha, acho que o Diretor Nunes vai ficar desconfiado até de mim.
— Tudo bem — Isabela consolou com os olhos curvados em sorriso. — Eu não desconfio de você.
Estela assentiu satisfeita.
Tiago serviu a água e voltou para o escritório, onde permaneceu por um longo tempo.
Depois que Estela foi embora com Ivana e Seven, ele ainda não tinha saído. Até que o crepúsculo caiu e chegou a hora do jantar, a porta do escritório continuava fechada.
Isabela empurrou levemente a porta e viu Tiago recostado na grande cadeira de escritório, com os olhos fechados, parecendo descansar a mente.
Ela caminhou com passos leves até ele. Assim que a ponta de seus dedos tocou a testa morna dele, Tiago abriu os olhos subitamente.
— Sr. Nunes, hora de jantar — a voz dela era macia, como uma pena roçando o coração.
O beijo de Tiago parou por um instante. Ele sorriu com os lábios colados no canto da boca dela, e sua palma se ajustou mais firmemente à barriga dela.
As pontas dos dedos acariciavam suavemente, e o beijo também ficou mais lento, percorrendo cada centímetro dos lábios dela, com um toque de conforto.
Só quando as bochechas de Isabela ficaram levemente vermelhas é que ele se afastou a contragosto, encostando a testa na dela, com a voz rouca:
— O bebê também veio participar da festa.
Tiago segurou a cintura de Isabela e a ajudou a descer do seu colo com todo o cuidado, sem esquecer de afagar o topo da cabeça dela com a ponta dos dedos.
A luz quente da sala de jantar banhava a mesa. Pratos de porcelana continham a sopa, e ao lado havia os vegetais refogados que ela gostava, até as tigelas e os talheres estavam arrumados perfeitamente.
Ele segurou a mão dela e caminhou até a cadeira, puxou-a para fora cerca de um palmo e, só depois que ela se sentou com firmeza, empurrou-a de volta, curvando-se ainda para ajeitar a barra do vestido dela.
Isabela, vendo-o tão atarefado, não pôde deixar de sorrir:
— Eu consigo sozinha.

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