Pelo que ela sabia, no ano em que namoraram, as joias e bolsas que Mark havia dado de presente poderiam formar uma pequena montanha.
— Fique tranquila, eu sei o que estou fazendo — disse Mark com tom firme, cada palavra soando como uma promessa. — Jamais deixarei a Clara passar por qualquer desgosto ou sofrimento ao meu lado.
Ao ouvir isso, os olhos de Clara se curvaram em meias-luas, e ela sorriu, segurando o braço dele:
— Eu não preciso que você me sustente, eu mesma consigo cuidar muito bem de mim.
Enquanto os dois demonstravam afeto alheios a tudo, Tiago ergueu a xícara à sua frente, tomou um gole vagaroso e, de repente, falou com um tom impaciente:
— Viemos para jantar, não para ouvir você fazer juras de amor aqui. Se quer fazer promessas, vá falar na frente do seu futuro sogro.
Mark sorriu sem graça e mudou de assunto rapidamente:
— Tiago, está com fome?
Dizendo isso, ele passou o tablet com o cardápio.
Tiago deslizou a tela casualmente, marcou alguns pratos e entregou diretamente para Isabela, ao seu lado.
Isabela baixou os olhos, viu que já haviam pedido bastante coisa e passou o tablet para Estela.
Estela fez seus pedidos e, por fim, entregou o tablet a Enrique.
Nesse momento, Seven correu com suas perninhas curtas e se jogou nos braços de Tiago. Com as mãozinhas agarradas aos joelhos dele, levantou o rosto macio e gritou com sua voz infantil:
— Papai, estou com fome.
Vendo aquela figura adorável e carente, o coração de Clara derreteu. Ela tirou dois pacotes de petiscos da bolsa e entregou a ele, consolando-o suavemente:
— Tome, divida isso com o Cristiano. A comida já vem.
Seven inclinou a cabeça, olhando para o que ela tinha nas mãos, e perguntou com voz clara:
— Titia, o que é isso?
— Carne seca — respondeu Clara sorrindo.
— Obrigado, titia! — Seven abriu um sorriso radiante, pegou a carne seca e correu para procurar Cristiano.
Vendo isso, Estela acenou para ele e chamou:
— Seven, a titia tem queijinho aqui também.
Ao ouvir isso, o pequeno correu de volta, fazendo barulho com os pés, pegou o queijinho obedientemente, agradeceu mais uma vez e saiu correndo.
— Eu não sou tão pão-duro assim. É que os dois vão fazer exames amanhã, não convém beber.
— Não está grávida mesmo? — Estela insistiu, sem desistir, com os olhos cheios de expectativa.
Isabela tomou um gole de água para disfarçar o leve constrangimento e disse, resignada:
— O que você está imaginando? Não estou. É só um check-up.
— Então quer dizer que estão se preparando para o segundo filho! — Estela bateu palmas com certeza, sorrindo com os olhos curvados. — Então tenho que desejar que você tenha um casal de filhos!
Ela já começava a planejar em sua mente: quando Isabela tivesse uma menina, ela se mudaria para ser vizinha deles. Afinal, quem está perto da água é o primeiro a ver o reflexo da lua.
Isabela riu e concordou com a cabeça:
— Aceito seus votos.
Ao lado, Clara ouvia a discussão animada sobre filhos e seu garfo ficou um pouco mais lento.
Ela manteve a cabeça baixa, sem conseguir encaixar uma palavra, e suas bochechas ganharam um leve tom rosado.
Afinal, o futuro dela e de Mark ainda parecia separado por mil montanhas e rios, ela realmente não tinha coragem de se envolver nesses assuntos.

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