Quando a noite caiu, o grupo de Isabela empurrou a porta e entrou. No camarote, Estela, Mark e Clara Campos já estavam acomodados.
Clara não fazia a menor ideia de que Mark, com a intenção de ir à casa dela pedir sua mão, havia preparado um dote de valor astronômico.
Ela já o havia aconselhado várias vezes, mas Mark estava decidido a ir. Aos olhos dela, aquele romance estava fadado a acabar assim que viesse à luz.
Ela levantou os olhos para Isabela e disse, num tom carinhoso:
— Isa.
Seu olhar então se voltou para Tiago, e ela imediatamente conteve sua informalidade, cumprimentando-o de forma respeitosa:
— Diretor Nunes.
Seven cumprimentou a todos obedientemente e logo se virou para brincar com Cristiano Guerra.
Pouco depois, ele se aproximou de Estela, levantou a cabeça e perguntou com sua voz cristalina:
— Titia, por que a Ivana não veio?
— A Ivana tem aula hoje à noite e ainda precisa fazer o dever de casa, por isso não pôde vir — explicou Estela com voz suave.
Ao ouvir isso, Enrique, que estava ao lado, franziu a testa quase imperceptivelmente e ordenou em voz baixa:
— Brinque com o Cristiano. A Ivana já é grande, vocês não podem brincar juntos.
Essa sutil mudança de expressão foi totalmente captada por Tiago.
No segundo seguinte, um olhar gelado foi disparado em direção a Enrique. Tiago entreabriu os lábios finos, e seu tom carregava um aviso:
— Mantenha seus pensamentos puros.
Enrique ficou sem palavras diante da reprimenda, sentindo a raiva sufocada no peito, mas sem ousar demonstrar nada.
O restante dos presentes não percebeu o significado profundo das palavras de Tiago, achando apenas que ele estava irritado sem motivo.
Isabela puxou discretamente o braço dele e perguntou baixinho:
— O que foi? Por que disse isso de repente?
Tiago passou os olhos por Enrique, um sorriso quase imperceptível curvando o canto de sua boca. Ele se inclinou perto do ouvido dela, com um tom de rivalidade quase infantil:
— Nada. Vamos ter uma filha no segundo filho.
Ter uma filha, só para ver como ele ficaria arrogante depois.
As orelhas de Isabela instantaneamente se tingiram de vermelho. Ela o empurrou de leve e murmurou:
Clara, que bebericava seu chá, não conteve um riso leve ao ouvir aquilo e balançou a cabeça:
— Nem começamos ainda. O relacionamento nem veio à luz, como poderia haver consentimento?
— Imaginei — Estela alongou as palavras propositalmente, assustando-a de brincadeira. — Quando o Sr. Campos souber, é capaz de ele te dar um tiro.
Ao ouvir isso, Mark riu baixo, com um tom cheio de certeza:
— Que atire. Desde que não atire na minha mão, se ele concordar depois de atirar, eu não tenho a menor objeção.
Estela olhou para ele de soslaio, desmontando sua confiança sem piedade:
— Você sonha alto. Mesmo que ele te transforme numa peneira, ele não vai concordar. A Clara é a princesinha que ele carregou na palma da mão por mais de vinte anos.
Mark estendeu a mão, apoiando-a naturalmente no encosto da cadeira de Clara. Seus olhos transbordavam um sorriso gentil e seu tom era solene:
— Eu sei. Mas vou provar com atitudes que, daqui para frente, também vou mimá-la como uma princesa.
— Só falar não adianta — Estela olhou para o casal que parecia alheio a tudo ao redor, e um traço de impotência passou por seus olhos, era claramente a imagem de uma paixão ardente. — É melhor você focar em ganhar dinheiro de verdade primeiro.
Ela não pôde deixar de murmurar para si mesma: realmente não sabia como aquele rapaz, o Mark, tinha conseguido conquistar a Clara. Teria sido na base da insistência descarada ou se humilhando voluntariamente?
No entanto, havia algo que ela admirava: Mark sempre foi mão de vaca com as pessoas ao redor, mas com Clara, ele era absurdamente generoso.

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