Após uma pausa, ela acrescentou com um tom de brincadeira:
— Afinal, bons homens neste mundo não se resumem a você.
A mão de Tiago que segurava a taça parou por um instante. Em seguida, ele ergueu os olhos para ela, com um sorriso nos lábios, mas sua voz era incrivelmente séria:
— Continuarei me esforçando para provar isso por toda a vida.
Ouvindo a conversa dos dois, Isabela usou os talheres de servir para colocar um pouco de comida no prato de Estela, interrompendo-a:
— Coma. Se continuar com essa conversa, da próxima vez que quiser provar a comida dele, terá que voar até a Suíça para nos encontrar.
Estela pegou a comida com o garfo e a levou à boca, sorrindo com os olhos:
— Que dificuldade há nisso? Quando a saudade apertar, compro uma passagem e vou!
Quando o jantar terminou, a noite já havia se espalhado pela janela, e o ponteiro do relógio mal passava das oito.
Ivana estava com tanto sono que mal conseguia manter os olhos abertos. Seu corpinho mole se agarrava ao pescoço de Enrique, e sua vozinha soava manhosa e arrastada:
— Quero o vovô... Eu quero o vovô...
Enrique baixou a cabeça e roçou o nariz nos cabelos da filha, acalmando-a com uma voz suave:
— Papai e mamãe estão aqui, meu bem.
Estela se aproximou sorrindo e apertou a bochecha macia da filha:
— Pelo visto, seu avô não te mimou em vão. Vamos, vamos para casa encontrar o vovô.
Dito isso, ela se agachou e deu um beijo estalado na bochecha rosada de Seven.
Seven franziu a testa, fez um biquinho e resmungou com desdém:
— Tia, que cheiro ruim.
Isabela não conseguiu se conter e caiu na gargalhada:
— Você deve ser o primeiro a ter coragem de reclamar da sua tia.
Estela imediatamente levou a mão ao peito, fingindo estar magoada:
— Ai, meu coraçãozinho! O Seven me achou fedida. A tia está tão triste.
— Eu não me importo.
Ao terminar de falar, ele a beijou.
O corpo de Isabela enrijeceu por um momento, e ela pousou as mãos no peito dele, com as bochechas queimando:
— Não brinque, a criança ainda está aqui.
Mas Tiago não a soltou. Seus lábios roçaram o canto da boca dela, e ele suspirou com um riso baixo:
— É doce, e muito cheiroso.
Ele lambeu os lábios, como se saboreasse o momento, e a provocou de propósito:
— Hoje nós dois estamos "fedidos". Deixe que ele durma sozinho.
— Só se for você — disse Isabela, lançando-lhe um olhar de reprovação. Ela se virou para ir ao escritório procurar o filho. — Eu vou dormir abraçada com meu filho.
— Vamos tomar um banho — disse Tiago, seguindo-a rapidamente. Ele a segurou pelo braço, puxou-a para o quarto e trancou a porta.

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