Naquela noite, Tiago de fato colocou o avental e foi para a cozinha. Os pratos que preparou, no entanto, eram todos os favoritos de Isabela e Seven.
Enrique tentou ajudar, mas era tão desajeitado que mais atrapalhava do que ajudava. Por outro lado, Mark mostrou seu talento, cortando os legumes com uma precisão artística. Mas, assim que terminou uma tarefa, foi impiedosamente expulso da cozinha por Tiago.
Ele o considerava um estorvo e um tagarela.
Antes do jantar,
Tiago levou Seven para lavar as mãos. O menino ergueu o rosto macio e perguntou com sua voz infantil:
— Papai, você vai dormir no escritório de novo hoje à noite?
O rosto do homem se fechou instantaneamente, mas sua voz permaneceu suave:
— Não fiz nada de errado, não vou dormir no escritório.
— Ah — Seven arrastou a vogal e acrescentou, abusado:
— Hoje à noite eu vou dormir no meio de vocês, lembra?
— Sim, no meio — Tiago concordou, resignado, mas bateu levemente no dorso da mãozinha dele, o tom de repente sério:
— Esfregue bem as mãos!
— Tá bom! — Seven passou as mãos rapidamente sob a torneira, depois as ergueu, mostrando-as como um troféu:
— Olha, papai, limpinhas!
Tiago riu, pegou uma toalha de papel e secou as mãos dele com cuidado, depois gesticulou:
— Pode ir.
Ele se virou e desabotoou os três primeiros botões da camisa. Os arranhões do pescoço até a clavícula ficaram expostos, marcas vermelhas de diferentes intensidades, bastante visíveis.
Quando ele se sentou, Mark, com seus olhos de lince, notou na hora e gritou:
— Enrique, traga sua caixa de primeiros socorros, o cara aqui se machucou!
Isabela, que estava servindo sopa para Seven, já conhecia o jeito dele e sabia que nada de bom viria. Nem sequer olhou.
Enrique seguiu o olhar dele e disse lentamente:
— Já está cicatrizando, não precisa de caixa de primeiros socorros.
Mark se animou na mesma hora, piscando e provocando:
Mark estufou o peito, o tom de voz cheio de confiança.
— A Diretora Lopes pode ficar tranquila.
— Agora estou um pouco preocupada — Isabela curvou os lábios, sugestiva.
— Temo que o Dr. Simões esteja tão focado em seu romance que não terá tempo para se dedicar ao projeto.
— Fique tranquila, namorar e trabalhar não são coisas conflitantes — Mark garantiu, batendo no peito.
Isabela assentiu, um brilho travesso em seus olhos:
— Então, vou acreditar em você por enquanto.
— Fique tranquila, garanto que nenhum acionista sairá no prejuízo — Mark sorriu, confiante.
Enrique, ao lado, interveio, com um tom de quem se diverte com a desgraça alheia:
— Se realmente tiver prejuízo, você provavelmente passará o resto da vida solteiro. Mesmo que consiga conquistar a Clara, pode esquecer de colocar os pés na casa da Família Campos.
Ao ouvir isso, o rosto de Mark se desfez. Ele suspirou longamente e juntou as mãos em súplica para todos:

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