- O colete está bom – ele avisou – Não tenha medo. Se cair, não afundará.
Ele não disse que se eu caísse me salvaria. Mas eu nunca fui o tipo de mulher que esperou ser salva por um playboy gostoso. Durante toda a minha vida eu salvei a mim mesma.
Mesmo hesitante, fui abrindo os braços devagar até que consegui erguê-los e gritei de felicidade. A sensação de liberdade era simplesmente incrível. E eu poderia ter feito aquilo com Gabe e sabia que seria um momento que jamais esqueceria. Mas ele preferiu outra pessoa a mim.
Demos algumas voltas e depois Jorel desligou o jet ski, no meio do lago. A visão da casa numa parte mais alta era de tirar o fôlego. E por sorte eu não via mais ninguém a não ser a água e a paisagem. Livre de Gabe e seus olhares maquiavélicos e ameaçadores.
Jorel levantou-se e virou de frente para mim, me surpreendendo. Suas pernas se abriram e me deixou entre elas, encarando-me:
- Por que você gostava de mim sem nem me conhecer? – Quis saber.
Eu ri:
- Acho que primeiramente me apaixonei por seu porte atlético. – Fui sincera – Coisas de adolescente. – Revirei os olhos, de forma divertida.
- Sei bem como é... Sou mesmo um tipo sexy e sedutor, o sonho de toda garota! – Brincou, fazendo trejeitos engraçados.
- Ok, em segundo lugar, mesmo sem nunca ter falado com você, sempre achei que era divertido e engraçado... E não me enganei.
- Sempre fui um palhaço – riu, deixando a cabeça pender levemente para trás, o que o deixava ainda mais lindo e sexy – Ao menos desde que decidi que de nada adiantaria ficar me lamentando pela porra de vida que tive na infância. Resumindo: rir é o melhor remédio... Mesmo que por dentro eu esteja sufocando... Ainda assim darei a todos o meu melhor sorriso.
- Ei... Você é meu gêmeo que foi separado ao nascer? – Não me contive, rindo.
- Talvez não o seu gêmeo, mas sua alma gêmea. – Ficou sério.
- Acho que temos mais em comum do que imaginamos, não é mesmo? Porque por trás do meu sorriso já houve muitas tristezas e lágrimas. Mas eu decidi seguir em frente e não ficar remoendo o que passou.
Ele suspirou:
- No fim, dizem que a infância é o período mais importante na vida de uma pessoa, que ela que define o caráter e tudo mais... Mas me julgo alguém do bem. Eu poderia ser um filho da puta como Gabe, por exemplo. Mas não sou! – deu um outro sorriso, já não tão largo, como se tivesse sendo remetido ao que passou – E por sorte este período em que dependemos dos outros é curto. Três quartos da vida é de períodos que abandonamos aquela criança... Adolescência, vida adulta e melhor idade.
- Gabe comentou sobre a infância de vocês. – Mencionei.
- Gabe falou com você sobre o nosso passado? – ele riu, incrédulo – Tem certeza de que estamos falando da mesma pessoa?
- Eu creio que sim.
- E o que ele disse?
- Pai ocupado, mãe omissa por parte dos medicamentos... Basicamente isto. Todos dentro da mesma casa, mas cada um vivendo sua vida. E... Você foi órfão jovem, assim como eu.
- Não lamento a morte deles. Teria sentido mais se tivesse tido um animal de estimação.
- Sei bem a que ser refere. Pais deveriam ser as pessoas que mais amamos na vida. Mas pelo visto não foi o nosso caso.
- Aneliese foi mais minha mãe do que minha mãe de verdade.
- A própria Rose, que me detesta, foi mais minha mãe do que minha mãe. – Levantei os ombros, sendo sincera.
Jorel ficou me olhando um tempo, sem dizer nada. E porra, ele era lindo demais! Levantou a mão e tocou minha bochecha, ainda encarando-me:
- Você é linda!
Abaixei o olhar e confessei:

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