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A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I romance Capítulo 83

- Eu não sei nadar!

- Tem uma parte rasa, não se preocupe.

Ver Olívia se afogando novamente não era uma possibilidade... Nunca mais.

Me dei ao luxo de pôr uma camisa branca de mangas curtas, de linho e uma bermuda cáqui, no mesmo tecido fresco. Eu detestava areia, mas ir para o lago de sapato ou tênis seria muito estranho. Então pus um par de chinelos confortáveis, da única marca que eu gostava, da Chipkos.

Eu não esperava que fizéssemos tudo junto com os Abertton, até porque queria aproveitar um pouco dos meus últimos momentos com Chuchu. Imaginava que depois daqueles dias no lago ela jamais quereria se aproximar de mim novamente. Mas quando saí do quarto, a casa estava no mais absoluto silêncio.

- Você viu... Minha esposa? – Perguntei à empregada.

- Ah, sim – deu um sorrisinho sem jeito – Olívia foi para o lago com as irmãs... E os pais.

- Olívia? – pensei ter ouvido errado – Chamou minha esposa de Olívia?

- Ela... Digo, a senhora Clifford insistiu que eu a chamasse pelo primeiro nome. Mas se o senhor deseja que eu não o faça...

- Foda-se! – dei de ombros e saí, furioso.

Claro que a casa estava em silêncio. Chuchu tinha ido com a família para o lago, sequer se dando ao trabalho de me esperar.

Atravessei o caminho de pedras, desci as escadas e cheguei na grama, avistando o lago entre os pinheiros. A água daquele lugar sempre foi escura, mas naquele dia particularmente estava verde escura, o que tornava o lago ainda mais lindo. Tinha um deck de madeira à direita, que ia da areia até uns vinte metros dentro da água. À esquerda ficava um pequeno barco e dois jet skys, ambos dentro de uma garagem própria construída sobre o lago. A arquitetura em madeira de lei deixava uma área de sacada gigantesca sem cobertura, mobiliada com mesas, cadeiras, espreguiçadeiras e um bar.

Mesmo não indo ali há uns bons anos, senti como se fizesse pouco tempo que pisei meus pés naquelas areias, quando meus pais ainda eram vivos. Eu gostava dali, porque era o único lugar onde fazíamos refeições juntos, em família. Se fechasse os olhos ainda conseguia lembrar de Jorel correndo descalço enquanto nossa mãe não desgrudava os olhos dele, acompanhando-o em todos os lugares, com medo de que meu irmão mais novo caísse, já que ele não sabia nadar e se recusava a fazer aulas de natação.

O engraçado é que enquanto eu amava a casa do lago e Jorel pouco se importava de onde ia, desde que estivesse passeando, Aneliese detestava aquele lugar com todas as suas forças. Tanto que quando a herança foi dividida, ela lutou para que o lugar fosse vendido e ficou furiosa porque não abri mão da propriedade, o mantendo como parte de nossas memórias. Mesmo eu tendo ficado com a casa, não voltei até aquele momento... Assim como meus irmãos. Os planos foram feitos com Mônica, mas acabamos conhecendo outros países e lugares e não a trouxe para onde vivi os meus poucos momentos bons em família.

Eu estava com as mãos nos bolsos, observando tudo, tentando não voltar ao passado, já que detestava estas questões de família e memórias. Ouvi as risadas de Olívia, que se divertia na sacada correndo feito uma criança enquanto a irmã mais nova tentava alcançá-la. Me flagrei sorrindo ao vê-la daquele jeito... Tão ela!

Mas eu não era o único. Ernest também tinha um sorriso bobo no rosto enquanto olhava para as filhas. A filha mais velha estava sentada ao lado do pai, lendo uma revista ou algo do tipo, que não identifiquei dali.

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