POV OLÍVIA
Acordei com vozes vindas de dentro e fora da minha casa. Espreguicei-me e fiquei a imaginar o que estaria acontecendo. Certamente papai tinha feito negócios com o senhor Clifford na noite anterior e aquele tumulto tinha a ver com aquilo.
Fui para o banho e abri a torneira do chuveiro e não tinha água. Como assim acabou a água?
Com toda aquela gente conversando a governanta não me ouviria de jeito nenhum, nem se eu gritasse ao lado dela. Pus um roupão e abri a porta do quarto, vendo homens uniformizados retirando os móveis de nossa casa e levando pela escada. Alguns itens estavam descendo por uma corda, diretamente do mezanino.
Vi Isabelle subindo para seu quarto com uma caneca na mão. Usava o uniforme da escola.
- Bom dia, docinho de coco. Não foi à escola hoje? – Perguntei.
- Não... Pelo mesmo motivo que você não tomou seu banho. – Passou por mim indo em direção ao seu quarto.
- Não foi à escola por que não tinha água?
- Porque estamos ficando sem móveis – riu de forma debochada e parou na porta, fazendo careta – Não viu os noticiários?
Voltei imediatamente para o meu quarto e peguei o celular. As notícias do dia no mundo dos negócios eram “Banco de N.N. anuncia dívida trilionária da Concessionária de Rodovias Abertton, o que certamente obrigará a abertura de falência de uma das mais antigas empresas do ramo no país. Bens de Ernest Abertton estão sendo tomados em nome de parte das dívidas, incluindo a sede da empresa, imóveis e até mesmo ferramentas de trabalho.”(...)
Nem cheguei a ler o final. Corri do jeito que estava na tentativa de encontrar meu pai, que devia estar desesperado. Ele estava na cozinha, com Rose, que em meio ao caos e à casa tomada de pessoas estranhas, tentava fazer uma maquiagem com um pequeno espelho que meu pai segurava próximo do rosto dela.
Estavam levando nossos móveis e Rose queria parecer bonita aos olhos dos carregadores?
- Coração! – meu pai abriu um sorriso quando me viu.
Dei-lhe um beijo na bochecha, ficando na ponta dos pés, já que ele era um homem de 1,90 metros, com um corpo escultural, daqueles que não passava despercebido. Rose era uma mulher bonita, mas não era à toa que escolhera meu pai, que a meu ver era simplesmente um dos homens mais sexys do mundo.
- Pai... Eu sinto muito pelo que está acontecendo – lamentei, louca para dar-lhe um abraço a fim de consolá-lo, impedida pelo espelho que ele segurava – Achei que a noite de ontem seria para fechar bons negócios. O CEO da Clifford não se interessou por Rita? Porque se tivesse dado certo, o dono da Clifford poderia certamente lhe ajudar financeiramente agora.
Rose parou de se maquiar e deu uma gargalhada estridente. Dei um passo para trás, atordoada. Pela primeira vez achei que aquela mulher pudesse ter alguma coisa além de soberba no cérebro... Tipo... Insanidade.
- Tudo isto é culpa sua! – Apontou para mim.

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