Estava na hora de Gabe assumir seus objetivos e ir em busca da sua tão desejada vingança. E de eu me preparar para o que vinha por aí, que certamente me atingiria em cheio.
Almocei sozinha num restaurante próximo da empresa. Refeição balanceada e nutritiva. Depois voltei para o trabalho sendo a terceira secretária, um cargo que sequer existia, fingindo que fazia algo útil a Clifford quando na verdade eu fazia algo útil a mim mesma.
A insulina NPH, além de ter baixo custo, era fácil de ser encontrada em qualquer farmácia e drogaria. No entanto foi tirada do mercado pela Clifford. E isto mudou a vida de muitas pessoas, tanto na questão financeira como na de ter que buscar outras alternativas terapêuticas. Eu era esposa, mesmo que por tempo limitado, do CEO da maior fabricante de medicamentos do mundo. Se não fizesse algo pelas pessoas que tinham a mesma doença que eu, qual seria meu propósito de vida? Por que o destino me pôs ao lado de Gabe Clifford se não para isto?
Encerrado o meu expediente e contente com o resultado de minhas pesquisas, segui para a mansão Clifford, que era a minha casa, mas não a de Gabe, como ele fazia questão de dizer, com meu motorista, Aragon. E agora Gabe implicava até porque eu o chamava pelo nome e não de “motorista”.
Estava entrando na porta da mansão quando recebi uma mensagem.
Número desconhecido: Busco você dentro de uma hora.
Um número aleatório, de uma pessoa não aleatória. Sorri e digitei:
Olívia: A chave está no lugar de sempre, amante! Estarei esperando-o no meu quarto, nua sob as cobertas.
Número desconhecido: Engraçadinha!
Olívia: Diga a senha para eu saber se é você mesmo, amante! Vai que seja meu marido neste número estranho.
Digitando... Digitando... E não houve resposta.
Insisti:
Olívia: Acredita que quando descubro o número dele, o desgraçado troca?
Número desconhecido: Uma hora. Não se atrase. E não vista nada roxo com verde.
Ali estava a senha: roxo com verde. É claro que eu usaria algo colorido. Eu iria visitar a família Clifford e óbvio que optaria por algo alegre e divertido, como eu me sentia naquela noite, feliz pelo convite de Aneliese.
Escolhi uma saia rosa pink curta com botas de cano longo da mesma cor. O suéter xadrez preto e branco com alguns tons em rosa combinavam com o look e separei um casaco pink para levar junto, caso esfriasse.
Como Gabe disse que me buscaria, imaginei que Aragon não seria requisitado, por isto lhe dei a noite de folga.
Ouvi a buzina do lado de fora da casa e saí, deparando-me com um Pagani Huayra verde vívido. E o filho da puta ainda debochou do meu vestido de noivo roxo com véu verde?
Parei na frente do automóvel e a porta se abriu automaticamente. Sentei-me ao lado dele e perguntei:
- Isto é um carro ou uma nave? Iremos para Marte?
A porta se fechou e Gabe sorriu:
- Boa ideia! Seria interessante se eu pudesse deixá-la por lá. – Exibiu-se acelerando o carro antes de sair da propriedade, comportando-se como um garoto que queria mostrar o brinquedo novo.
Gabe até que tinha certo senso de humor... Principalmente quando dizia respeito a mim.
- E você ainda achou a cor do meu vestido de noiva ruim!

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