- Não iremos jantar na sua casa, Aneliese. – Gabe foi enfático.
- Por favor, Gabe! – Pedi, com as mãos em prece – Prometo me comportar.
- Você não sabe o que é se comportar, Olívia.
- Não trate sua esposa como uma criança porque ela não é, Gabe – Aneliese o criticou – Espero vocês às 19 horas na minha casa para o jantar.
- Estaremos lá, cunhada! – Garanti, dando pulinhos de alegria enquanto deixava a sala para que os dois pudessem conversar à vontade, seja lá o que tivessem para tratar na empresa.
Gabe não havia confirmado que iria para o jantar, mas que mesmo que se negasse, eu iria. Afinal, o convite era para mim também. E eu queria muito conhecer a família Clifford. Seria Aneliese solteira? Provavelmente sim, porque no casamento eu não lembrava de tê-la visto acompanhada.
Voltei para o computador e perguntei, só para ter certeza:
- Precisam que eu faça algo para ajudar?
- Não! – Ingrid reiterou, com cara de poucos amigos.
Eu não a atrapalhava em nada, já que ficava quieta na minha mesa. Então o que a incomodava? Minha simples presença? Se fosse assim, era óbvio que Ingrid tinha interesse no meu marido e que ia muito além da relação patrão/empregada.
Voltei à minha pesquisa, que era mais interessante.
Esperei por Gabe no horário do almoço, mas ele não saiu de sua sala. Eu não quis ser uma esposa possessiva e chata e então optei por deixá-lo fazer suas coisas e comer quando tivesse vontade.
Me dirigi ao elevador e assim que a porta fez menção de fechar, Gabe pôs o braço, entrando apressadamente.
- Vai almoçar comigo? – Perguntei, esperançosa.
- Não! – virou para a porta, não me olhando.
O elevador parou num dos andares e alguns funcionários entraram. Claro que todos ficavam confusos de ver o CEO da Clifford ali, junto dos nós, meros mortais. E eu já nem sabia se era tão ruim ninguém saber que eu era a esposa dele.
- Moça do café! – um rapaz apontou para mim, com um sorriso gentil.
- Não mais! – apontei para o crachá.
- Que pena! Seu café era bem bom! – sussurrou próximo a mim.
- Deixa eu lhe contar um segredo – sussurrei no seu ouvido – Não era eu que fazia e sim a máquina!
Começamos a rir e quando eu vi Gabe estava do nosso lado. Como parou ali tão rápido eu jamais descobriria.

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