A pus na cama e ela virou-se para o lado, gemendo. Realmente estava cansada ou caso contrário teria tentado me puxar para a cama ou algo do tipo. Olhei para a mesa de cabeceira e vi o porta-retrato com uma nova foto. Era nós dois. Não tinha mais Jorel ali.
Peguei o objeto e não contive o riso. Ela era criativa. E tinha uma questão não resolvida com relação a fotos. O motivo eu não sabia... Ainda.
O braço esquerdo dela estava no travesseiro e vi que não usava a aliança. Peguei sua mão e me certifiquei de que realmente Chuchu havia se livrado da aliança que lhe dei.
A sacudi, mas ela reclamou algo inaudível e sequer abriu os olhos. Olívia não tinha o direito de não usar a aliança. Aquela era a prova de que ela era a minha esposa. Ou seria... Os papéis que assinamos?
Fiquei ali, um tempo relativamente longo observando-a dormir, velando seu sono, como diriam os mais românticos. Depois saí e fui para o meu quarto. Não voltaria para casa naquela noite. Precisava me certificar de que o homem que ela disse que estava chupando-a não estava escondido em algum lugar da mansão.
Na manhã seguinte acordei bem mais cedo do que o habitual para não cruzar com Olívia na casa. E cheguei na empresa também antes do horário.
Para minha surpresa Ingrid já estava lá. Pensei em perguntar se ela tinha uma vida, se morava numa casa ou na empresa, se conhecia alguém a não ser eu e as pessoas com as quais eu a mandava falar diariamente.
- Bom dia! – Foi o que eu disse antes de passar rapidamente por ela e ir para a minha sala.
Tinha uma reunião marcada para às 8 horas da manhã com os acionistas. Fazíamos aquilo mensalmente e raras eram as vezes que não durava uma manhã inteira. Ou seja, seria um dia entediante. E eu não costumava achar o meu trabalho entediante. Mas nos últimos dias estar na empresa era sim “entediante”.
Interfonei para Ingrid:
- Por favor, Ingrid, providencie um novo número de celular para mim. Desative o antigo.
- Ok, senhor Clifford.
Cinco minutos antes de começar a reunião me dirigi para a sala onde ocorreria. Fui o último a chegar, mas não estava atrasado. Cumprimentei os sócios e todos conversavam animadamente. Parecia que só eu não via graça nenhuma em estar ali.
- E como foi com os novos estagiários? – um deles me perguntou.
- Foi... Normal.
Ingrid já tinha deixado minha pasta sobre a mesa e o notebook aberto exatamente onde eu precisava acessar a pauta.
- Bem, senhores, estamos aqui para mais uma reunião mensal... – Comecei.
- E não parece nada animado, Gabe! – Um deles pareceu se divertir.
Não éramos amigos, mas eu tinha um pouco mais de intimidade com aqueles homens do que com outros com os quais me reunia. Tratávamos de assuntos relacionados à empresa e embora eles tivessem uma mínima parcela que fosse de ações, de certa forma eram um pouco proprietários da Clifford. E os únicos funcionários com os quais eu me reunia uma vez ao ano fora dali, que era próximo do Natal, para uma confraternização.
A maioria deles se relacionava além da empresa, já que tinham famílias e eu ouvi falar que o filho de um deles estava próximo de casar a filha de outro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A DOCE VINGANÇA DO CEO SEM CORAÇÃO - IMPÉRIO CLIFFORD I