- Gabe? – Rael levantou-se rapidamente, pego de surpresa pela minha presença.
O que ele achou? Que o convidei para tomar um drinque na minha casa e não estaria lá?
Olívia, por sua vez, continuou onde estava, sentada no chão, em volta da mesa de centro envidraçada, coberta somente por um pedaço de cetim que envolvia seu corpo, que talvez na sua cabeça se chamasse camisola.
Desci as escadas, encarando Rael, sabendo que o problema não era ele e sim Olívia, que certamente o obrigou a sentar-se ao seu lado, fingindo ser uma pobre moça, quem sabe tendo lhe contado uma história triste.
Olívia seduzia os homens, como a mãe. Certamente cresceu vendo aquilo e achava que era a forma de conseguir o que queria. Primeiro cogitou dormir com os professores para conseguir dinheiro para a faculdade. Agora decerto pensava em foder com meu melhor amigo em troca de comida.
Não, eu não cairia no joguinho de provocações dela. Olívia era praticamente uma criança e descer ao nível dela seria degradante.
- Quer jogar com a gente, marido? – perguntou, como se não estivesse fazendo nada errado.
Enfim tive coragem de encará-la, com aquele nariz empinado, que me desafiava o tempo inteiro.
- Continue o que estava fazendo, Rael! – tentei amenizar a expressão do meu rosto, vendo até que ponto aquela mulher seria capaz de ir.
- Eu... Já me apresentei à sua esposa! – meu amigo disse, sem jeito.
- Ah, sim! – tentei um sorriso – Como percebeu, ela não tem nenhum atrativo.
- Sou boa em Banco Imobiliário – ela contestou – Venha, Rael! – bateu a mão no chão, chamando-o para o seu lado de novo – Então sim, tenho um atrativo.
- Vá! – dei minha permissão – Estou curioso para saber quem vai ganhar este jogo!
Rael não pensou duas vezes e sentou-se novamente no chão, parecendo só esperar pelo meu consentimento. Fui até o balcão e servi dois copos de The Macallan, oferecendo-lhe um, que Rael aceitou, sequer olhando na minha cara, totalmente compenetrado na porra do tabuleiro... Ou nos seios de minha esposa expostos sob o tecido fino e rendado da camisola.
- Você não bebe? – perguntou para minha esposa.
- Não – ela sorriu – Sou diabética. Álcool é quase um veneno para mim.
- Então eu deveria ter lhe oferecido alguns copos, Chuchu! – cruzei as pernas e relaxei o corpo no sofá, assistindo de perto o que estava acontecendo ali.
- Se me oferecesse eu não aceitaria – Olívia respondeu sem me olhar – Mas claro que se me abrisse a boca e obrigasse a engolir... Eu engoliria tudo! – olhou-me de soslaio, um leve sorrisinho no canto dos lábios, provocante – Mesmo sabendo que não é muito saudável.

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