Me arrastei com o pouco de força que ainda me restava até a borda da piscina enquanto Olívia tentava, sem sucesso, se manter na superfície, batendo os braços com agonia, como se aquilo fosse impedi-la de ser tragada pela água.
Me joguei na piscina e, tentando esquecer a dor insuportável que me atingia, a puxei, numa tentativa de fazê-la alcançar a borda. Em pouco tempo Olívia estava segura. Quanto a mim? Bem, eu pouco me importava. Já fazia um tempo que eu tinha percebido que a vida dela valia mais do que qualquer coisa, principalmente a minha.
Ironicamente a pessoa que eu queria fazer sofrer, a fim de que atingisse meu maior inimigo, foi quem me deu um novo rumo para a vida... E me ensinou sobre um sentimento que até então eu achava conhecer, mas que não conhecia: o amor.
Eu me mantinha calmo, apesar de tudo, e desta forma conseguia preservar meu corpo de certa forma boiando, enquanto o sangue que escorria do meu corpo tingia a água da piscina de um tom vermelho vivo, que em breve se misturaria ao de Rowan, que tentava atingir a água, criando um caminho no piso.
Olívia me puxou pela camisa com força, fazendo com que eu alcançasse a borda. Eu não conseguiria subir, pois a dor era simplesmente insuportável e nem sentia mais os músculos da perna se contraírem.
Chuchu, magra, frágil, recém recuperada de um quase afogamento, mostrou-me que além de garra, também tinha força. E daquela forma conseguiu puxar meu corpo pesado para fora da piscina.
Achei que ela fosse ficar comigo... Chorar, gritar, sorrir e dizer que estávamos vivos e o quanto teve medo de me perder. Mas não! Surpreendendo-me, como de costume, Olívia retirou a própria blusa e correu na direção de Rowan, tentando estancar o sangue que escorria dele.
Fiquei observando a cena, sem saber exatamente como agir. Simplesmente porque eu não tinha palavras nem capacidade para entender o que se passava na cabeça de Olívia Clifford.
Não satisfeita, ela passou a massagear o coração de Rowan, como se estivesse implorando pela vida dele.
- O... Lívia? – Minha voz mal saiu quando a polícia invadiu o local, com tantas armas nas mãos que parecia que iriam para a guerra.
- Você não vai morrer, seu desgraçado! – ela gritou – Uma ambulância! Precisamos de uma ambulância! Ele ainda está respirando.
Minha mente estava devagar. Ela implorou ajuda para Rowan e não para mim. E caralho, aquilo deveria me deixar muito mal. No entanto o que mais me preocupou foi:
- Ponha a porra de uma blusa! – Falei, entredentes, sentindo o tremor perpassar meus lábios enquanto alguém finalmente vinha ao meu encontro, tentando fazer aquela dor passar.
- Ele está vivo! – ouvi alguém dizer enquanto vários policiais corriam na direção de Rowan.
Olívia veio até mim e pegou minha mão. Enquanto me prestavam os primeiros atendimentos, desvencilhei-me dela e, com dificuldade, abri os botões da minha camisa, retirando-a e entregando-lhe. Chuchu pôs a camisa molhada, sendo que mesmo o tecido sendo grosso, por conta da umidade deixava certa transparência.
Enquanto me retiravam dali, numa maca, eu seguia com a mão de Olívia na minha. Ainda tentava entender o que ela tinha feito minutos atrás, embora tivesse mil outras coisas mais importantes para pensar. Isto porque o meu foco sempre era ela e suas atitudes.

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