- Nosso o pai o escolheu para tomar conta dos negócios... Sequer me deu uma chance! Ele não foi muito justo! – Rowan continuou, enquanto apontava a arma para Olívia, tão próximo da piscina que um passo o faria cair dentro dela.
Geralmente haviam boias dentro ou próximas. Mas como Rarith não estava ali, certamente os empregados tiraram todas. A profundidade da piscina era 2 metros na parte mais funda. E talvez 1,5 na mais rasa. Era possível resgatar Olívia com facilidade, se eu tivesse tempo.
- Este papo de filhinho abandonado não me convence em nada, Rowan. Poupe sua tristeza e discurso patético para outra pessoa, quem sabe seu terapeuta, porque eu não sou seu pai. E sinceramente, estou me fodendo para ele. O odeia? Entre na fila!
As sirenes anunciavam que a polícia já estava na propriedade e pelo jeito com todo pelotão da cidade.
- Ligue para Aneliese e me deixe falar com Rarith. – Rowan pediu, num tom não tão seguro e longe de ser sarcástico.
- Não! – Fui enfático, principalmente porque não sabia o que aquele louco falaria para minha sobrinha.
- Meu tempo é curto, Gabe. Não me faça agir precipitadamente, porque isto será muito mais ruim para você do que para mim.
- Não falará com Rarith, Rowan.
Eu sabia que assim que ele falasse com Rarith, o que quer que fosse, meu prazo e o de Olívia estaria encerrado. E precisava ganhar tempo, para que a polícia invadisse o local e desse um tiro na cabeça daquele desgraçado, sem que ferisse minha esposa.
Olhei para Olívia, que arregalou os olhos quando Rowan a empurrou em direção à piscina, segurando-a pelo braço. A arma agora estava apontada na minha direção.
- Lembrando que um morre! – Ele fez questão de repetir.
O pavor tomou conta de mim. E nos olhos de Olívia percebi o mesmo medo. Ela assentiu, como se tivesse um plano. Peguei meu celular e liguei para Aneliese, do número que só eu tinha. Apesar de saber que Rowan poderia falar qualquer porra para Rarith, ainda assim ela estava longe o bastante dele para estar segura. Aquele homem não poderia ferir minha sobrinha, tampouco minha irmã.
- Gabe? – A voz de Aneliese pareceu preocupada e certamente era pelo fato de termos combinado que eu jamais ligaria, a não ser que fosse algo muito importante.
- Ponha no viva voz – ele ordenou, esperto o bastante para não abrir mão da arma nem de Olívia, que estavam em suas respectivas mãos.
Coloquei no viva voz e disse:
- Estou com Rowan. E ele quer falar com Rarith.
- Gabe, não...
- Por favor, Aneliese... Chame Rarith – implorei – E tente deixá-la tranquila. Estou na sua casa... E Rowan está com uma arma apontada para mim.
- Não! – ela começou a chorar do outro lado da linha.
- Está tudo bem, Ane... Só faça o que estou pedindo. Vai ficar tudo bem.

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