Eles nem tinham cruzado a porta quando Rael chegou. Rose analisou-o silenciosamente e depois riu, de forma debochada:
- Só espero que Isabelle não seja o par de Jorel, porque juro que o boto na cadeia. – Apontou o dedo para o Clifford mais novo.
- Que moral você tem para isto? – Me enfureci – Nunca vi um ser humano tão hipócrita na vida. Acha que algum de nós algum dia aceitaria um envolvimento entre os dois? Sua mente é doentia... Tudo em você é dissimulado e desumano.
- Isabelle e eu somos sócios – Jorel ainda teve a decência de se justificar – Sua filha tem 14 anos, embora você não lembre. E eu estou fazendo 23 na semana que vem. Eu jamais tocaria numa criança, sendo que posso ter qualquer mulher que quiser. Mas vindo da sua mente calculista e pretensiosa, não me impressiono.
Ele soltou Isabelle, certamente afetado com a fala de Rose e saiu. Minha irmã foi atrás dele e Rose nos olhou. Eu sabia que era a última vez que a veríamos. E nunca tive tanto nojo de uma pessoa como naquele momento.
- Isto não é um adeus e sim um até logo, filha! – ela acenou para Rita e depois me olhou – Apesar de tudo, você me deve muito. Eu poderia não tê-la aceitado dentro da minha casa, mas não fiz isto. Lhe dei um lar, mesmo sabendo que você era filha da vagabunda com a qual meu marido me traiu.
- Eu posso lhe fazer uma única pergunta? – Questionei. Ela não disse nada, então segui – Você realmente amou meu pai? Porque acredito que se não tivesse amado, não teria aceitado tudo que aceitou...
- Eu o amei. Mas ele nunca mereceu.
Dizendo aquilo ela virou as costas e saiu. Olhei para Rita, que ainda tinha os olhos avermelhados de tanto chorar. Antes que ela desabasse, Rael e acolheu.
- Como você soube? – Gabe perguntou ao amigo
- Não se fala de outra coisa na mídia.
- Bem... Você cuida dela – Gabe referiu-se a Rita – Levarei Olívia para tomar um banho e comer alguma coisa e depois iremos para a delegacia.
- Nos encontramos na sua casa, como Isabelle pediu? – Rita perguntou.
- Sim. Precisamos saber o que tem naquele telefone. – Gabe confirmou.
Gabe e eu fomos para casa. No caminho não falamos absolutamente nada, ficando em silêncio por todo o trajeto. Na minha cabeça se passavam mil coisas ao mesmo tempo: eu nunca mais veria meu pai, Rose tinha vendido a Isabelle para Gabe, alguém assassinou meu pai.
Quando o carro estacionou na frente de casa, olhei para Gabe:
- Ele queria me dizer algo.
- Ele quem?
- Meu pai. Quando marcamos o jantar, ele disse que era hora de eu saber algumas coisas que deveria ter me contado há muito tempo. E que talvez eu nunca mais olharia em sua cara depois de saber... Mas que precisava ser sincero, ao menos uma vez na vida.
- O que... Acha que que poderia ser?
- E se ele fosse me contar que conhecia Rowan? Se estivesse disposto a dizer toda a verdade?

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