- E se eu não fizesse isto, o que seria de todos nós? Gabe Clifford não estava brincando, Rose. Aliás, ele nunca brincou. Estava realmente disposto a despejar nossa família caso o casamento não fosse aceito e você sabe muito bem disto!
- Coração, não vamos brigar por causa disto! – papai tentou apaziguar – Devemos nos alegrar! Temos onde morar e não dependemos mais de Gabe Clifford.
- E dependemos de quem agora, pai? – Rita quis saber.
Rose pegou uma de suas malas e foi em direção à porta:
- Vamos, Ernest. Não devemos satisfações. Só quero saber onde será nossa nova casa.
Ver Isabelle chorando pelo vidro do carro, enquanto partia, destruiu meu coração. Eu estava na calçada, esperando por Gabe, junto com Rita. E claro que vi meu pai, Rose e minha irmã mais nova indo embora para a tal casa nova que apareceu do dia para noite, sem que ninguém soubesse onde ficava ou como foi adquirida.
- Isto é... Muito estranho! – Rita alegou, ainda inconformada – Ainda bem que eu decidi ficar morando com Jai... Caso contrário estaria na rua de novo, porque eu não iria com eles.
- Ainda tem esta casa – olhei para nossa antiga residência – Ela está no meu nome. E Gabe não a tirará de mim. Pode ficar aqui se quiser.
- Talvez seja o melhor a fazer. Sei que Jai está de rolo com uma mulher e não quero atrapalhar. Mesmo sabendo que poderia ser um possível empecilho para ele, eu não queria voltar para cá e morar com nosso pai de novo... Não depois de tudo que aconteceu... E não me refiro só ao fato de Gabe ter mencionado a possibilidade de ele estar agindo com Rowan... Mas pelas mentiras com relação à sua mãe.
- Quem mente uma vez, certamente mentirá outras. Não consigo mais confiar nele desde a situação com Jai... E isto me dói demais – confessei – Fico imaginando quanto tempo ele ficou com a minha mãe... Já pensei até na possibilidade de ter sido antes de conhecer Rose.
- Infelizmente jamais saberemos, Olívia, porque ele tem tantos segredos escondidos que não há como prevermos. Nosso pai perdeu tudo... E foi nos dizer quando não restava mais nada, um norians sequer, nem onde morar. Fico pensando como ele me mandava dinheiro no exterior, sendo que já não tinha. Tem noção de que eles pagaram um jato particular para me trazer para um jantar com Gabe Clifford?
- Eu... Tenho medo do que ainda possamos descobrir.
Reconheci o carro de Gabe, que era guiado pelo motorista. O Pagani estava em poder da polícia ainda, sendo analisado pela perícia, já que meu marido havia alegado que poderia ter sofrido o acidente por conta de uma falha mecânica proposital.
O carro estacionou e olhei para Rita:
- Não quer vir comigo?
- Ainda acho Gabe um filho da puta.
- Ele tem seus pontos positivos. – Sorri.
- Um pau grande? – ela me encarou.
- E uma boa pegada! – ri – Aliás, a melhor de todas.

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