Acompanhei Olívia em todos os exames. Por sorte eu era destro e consegui afastar minha mão esquerda da visão dela o tempo inteiro. Eu não queria que chuchu se deparasse com aquela loucura que eu havia cometido e da qual em breve me livraria.
Terminada a saga de exames de sangue e imagem voltamos para a recepção e encontramos Aneliese e Jai.
- Onde está Rarith? – Perguntei, preocupado.
- Vocês demoraram muito. A babá veio buscá-la. – Minha irmã explicou.
Observei que ela tinha um envelope na mão:
- Como foi o resultado do seu exame? – Fiquei tenso.
- O seu... Deu positivo ou negativo? – Ela olhou para Olívia.
- Negativo... Infelizmente. – Olívia ainda estava insatisfeita com o resultado.
- Você... Queria um bebê? – Anelise perguntou-lhe.
- Não queria tanto assim... Só não esperava que seu irmão pudesse engravidar todo mundo menos eu. – Suspirou, fazendo uma carranca, me culpando por toda sua frustração.
Aneliese me olhou, confusa.
- Eu já disse que o filho que Ingrid espera não é meu! – afirmei.
- Eu não tenho dúvidas disto. – Minha irmã me ajudou.
- O que você tem? – chuchu quis saber – Quais exames aguardava?
- Eu... – Aneliese abaixou a cabeça, parecendo hesitante.
Eu gostaria de contar a Olívia que minha irmã tinha uma doença grave, mas não podia revelar sem autorização. No entanto sabia o quanto as duas se gostavam e como Aneliese não tinha amigas, poderia encontrar na minha ex um pouco de atenção e quem sabe até se divertir fazendo coisas de mulheres, algo que minha irmã nunca fazia: sair com amigas, comer fora... Ela sequer passeava no shopping para fazer compras, como a maioria das mulheres fazia. Por que a vida inteira Aneliese trancou-se dentro de si mesma, não deixando ninguém a não ser Rowan se aproximar?
- O tumor está estável. – Aneliese me olhou e deu um sorriso.
Para mim aquela notícia era o mesmo que: “Vou sobreviver”. A abracei com força e respirei fundo, tentando conter a emoção da notícia. Caralho, eu não era aquele tipo de homem que dava demonstrações de afeto em público, mas naquele momento aconteceu de forma automática.
Quando nos soltamos, minha irmã explicou para Olívia:
- Tenho um tumor no cérebro... Maligno. A cirurgia é muito arriscada. Então... Não cogitei fazê-la. Viajei para os Estados Unidos há um tempo atrás, para um tratamento... E acho que deu certo. Ele não cresceu... Está estável.
Olívia ficou um tempo olhando para minha irmã, sem dizer nada, tentando assimilar o que ouvia. Depois abraçou-a com força, de forma demorada.
Quando chuchu se afastou, vi que os olhos estavam lacrimejantes:
- Eu sabia que tinha alguma coisa errada com você! Mas não quis ser intrometida e perguntar.

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