- Mudei de ideia – menti – Eu não tinha me dado conta do quanto isto poderia ser arriscado para você. Tanto que usamos preservativo nas últimas vezes. Sei que me disse o quanto era perigoso, mas não acreditei em você. Agora, por favor, pare de me torturar... E vamos abrir este exame.
Olívia olhou ao redor, observando as poucas pessoas que aguardavam. Percebi que ficou pouco à vontade. Peguei-a pela mão e fui andando até encontrar uma sala vazia.
- Abra. – Ordenei, não entendendo porque ela estava tão apreensiva.
Olívia respirou fundo e desdobrou o papel. Só li o final: NEGATIVO. E aquilo me deu um alívio sem explicação, como se tivesse tirado o mundo de cima da minha cabeça.
- Está feliz agora? – Ela gritou, furiosa.
- Eu... Tenho culpa de ter dado negativo? – fiquei incrédulo – Chuchu, não manipulei o resultado do exame... Eu sequer sabia que a encontraria aqui. Aliás, tenho minhas dúvidas se você realmente me contaria sobre isto.
Olívia rasgou o papel em pedacinhos e jogou em mim, demonstrando sua fúria. Chuchu queria ser mãe e eu não tive dúvidas daquilo. E caralho, como eu gostaria de ter um filho com ela, desde que não houvesse a mínima possibilidade de perdê-la durante a gestação ou no parto. Olívia sempre seria a minha escolha, a minha vida, o meu amor.
Depois de descontar em mim sua frustração, saiu andando rapidamente pelos corredores e fui atrás dela, certo de que procurava algo ou alguém. Pensei que pudesse ser o irmão, mas ela passou pela entrada da cafeteria e quando percebi entrou na ala de ginecologia e obstetrícia. Parou na recepção e disse com a voz altiva:
- Desejo ver o doutor.
- Seu exame deu positivo? – a enfermeira que havia lhe entregue o exame anteriormente sorriu.
- Quero ver o médico agora! – Chuchu repetiu.
Tinha uma pessoa na frente e antes que a mulher cogitasse deixar a minha Olívia esperando, falei:
- Leve-nos até o médico imediatamente. Diga a ele que sou Gabe Clifford... – quase falei “o pai do bebê que ela não espera”.
A enfermeira entrou num dos consultórios e em seguida voltou com a resposta de que o médico iria nos receber, óbvio.
Entramos no local e Olívia disse:
- Quero fazer exames.
- Exames de quê? – O doutor olhou-a por cima dos óculos de aros grossos que quase caíam do seu nariz.
- Fertilidade.
- Por que desconfia que possa ser infértil, senhora Clifford?
- Porque todo mundo engravida do meu marido, menos eu.
Engoli em seco, incerto se ela realmente havia dito aquilo. O médico me olhou e fiquei tão pasmo quanto ele. Certamente achava que eu devia ter uma dúzia de filhos espalhados por Noriah Norte, tamanha certeza com que ela disse a frase.
- Chuchu... – Tentei dissuadi-la daquela decisão sem sentido.
- Quero os exames agora, doutor! A secretária do meu marido dormiu com ele uma única vez e está grávida. Eu transei meses sem camisinha e não fiquei por que? Eu senti os enjoos, as tonturas... Todos os sintomas. – Vi a lágrima cair pela bochecha dela, percebendo o quanto estava entristecida.
Caralho, se Ingrid, por um milagre, estivesse grávida de mim, Chuchu jamais olharia na minha cara. E eu teria que fazer Ingrid desaparecer do planeta, nem que pagasse para alguém botá-la a bordo de um foguete espacial com destino a um planeta desconhecido, com passagem somente de ida.
O médico voltou a me olhar, como se quisesse ajuda.

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